Alerta Solar: mancha AR2158 explode, e uma intensa tempestade geomagnética atingirá Terra

Duas intensas explosões solares seguidas de Ejeções de Massa Coronal causarão uma forte tempestade geomagnética na Terra, nos dias 12 e 13 de setembro


A mancha solar AR2158 explodiu no último dia 10 de setembro às 17h46 UTC, produzindo uma explosão solar de classe X1.6. Um flash de radiação ultravioleta ionizou as camadas superiores da atmosfera da Terra, perturbando comunicações por rádio HF por mais de uma hora. E o mais importante é que essa explosão arremessou uma Ejeção de Massa Coronal (EMC) diretamente para o nosso planeta. O Observatório Solar e Heliosférico da NASA registrou essa intensa explosão solar.



Transmissões de rádio da onda de choque da EMC indicam que a nuvem atravessou a atmosfera do Sol a velocidades tão altas quanto 3.750 km /s. No momento em que deixou a atmosfera do Sol, no entanto, a nuvem tinha desacelerado para 1.400 km /s, o que torna essa EMC menos intensa do que sua velocidade inicial sugeria.



Mas mesmo com uma redução na velocidade, esta EMC tem o potencial de desencadear atividade geomagnética significativa quando atingir o campo magnético da Terra, o que deverá acontecer nas horas finais do dia 12 de setembro. Meteorologistas da NOAA estimam uma chance de quase 80% das tempestades geomagnéticas polares entre os dias 12 e 13 de setembro.

Os meteorologistas espaciais estão confiantes de que o campo magnético da Terra receberá um golpe duplo de duas EMC no dia 12 de setembro. As duas grandes explosões do dia 9 e 10 de setembro, que foram desencadeadas pela mancha AR2158 se chocarão intensamente com nosso campo magnético, e segundo os meteorologistas da NOAA, até mesmo os observadores de latitudes médias (áreas da Terra situadas entre os trópicos e as regiões polares) poderão avistar auroras no céu noturno.


Não pára por aí

As manchas solares AR2157 e AR2158 possuem campos magnéticos instáveis, com energia suficiente para liberar mais explosões solares intensas em nossa direção. Segundo meteorologistas da NOAA, as chances de explosões solares de classe X para os próximos dias é de 40%, e para explosões de classe M, as chances são de incríveis 85%.


Quais seriam os danos de uma tempestade solar extrema?

Ainda não se sabe ao certo qual será o impacto que essa tempestade solar irá causar. O que os especialistas solares mais temem é a repetição dos eventos extremos de enormes EMCs de 1921 e 1859, que se fossem repetidos nos dias atuais, poderiam destruir grande parte da rede elétrica mundial, além de vários outros danos à nossa tecnologia, o que exigiria mais de um ano de reparos.




Ou seja, o estudo e o acompanhamento da atividade solar não é um mero interesse acadêmico, mas sim, uma necessidade que se torna cada vez mais importante para a manutenção da nossa tecnologia e do nosso dia a dia.

Atualização - 12 de setembro às 18h30 BRT

De acordo com os meteorologistas da NOAA, o primeiro impacto (referente à primeira explosão solar do dia 9) já chegou na Terra, e no momento estamos enfrentando uma tempestade geomagnética de classe G2 (moderada), porém, não esta descartada a possibilidade de termos uma tempestade de classe G3 amanhã, dia 13 de setembro.

A intensidade das tempestades geomagnéticas é medida em uma escala que vai de G1 (fraco) até G5 (extrema). A classe G2 e G3 representam tempestades geomagnéticas que podem causar danos a transformadores e distúrbios em equipamentos eletrônicos localizados em altas latitudes (próximo dos pólos norte e sul), além de problemas com satélites geoestacionários e apagões de rádio. Tempestades de classe G3 podem gerar auroras em latitudes médias mais próximas dos polos, ou seja, no hemisfério norte, em latitudes acima de Illinois e no hemisfério sul em latitudes abaixo de Buenos Aires.

A onda de radiação solar chegou na classe S2 (moderada), mas está em declínio. A radiação solar é medida em uma escala que vai de S1 (fraco) até S5 (extrema). A classe S2 representa uma onda de radiação que pode causar interferências em transmissões de rádio além de  expôr passageiros de vôos em altas latitudes (próximo dos pólos) a níveis indesejáveis de radiação.

Atualização - 13 de setembro às 16h30

Assim como foi previsto, a chegada da segunda onda de choque gerou uma tempestade geomagnética de classe G3 (forte) no início de hoje, dia 13 de setembro. Apesar da magnetosfera terrestre ainda estar sob a influência da onda de choque, no momento não há atividade de tempestade geomagnética ou de tempestade de radiação solar. Com a rotação da Terra e a influencia contínua do vento solar, mais tempestades podem ocorrer no decorrer das próximas horas, mas provavelmente, não com a mesma intensidade que se tem observado nesses últimos dois dias.

Com relação a essa tempestade, já podemos "quase" dizer que estamos livres...

Fonte: Spaceweather / NASA / NOAA
Imagens: NASA / SOHO
12/09/14

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13 comentários:

  1. "segundo os meteorologistas da NOAA, até mesmo os observadores de latitudes médias (áreas da Terra situadas entre os trópicos e as regiões polares) poderão avistar auroras no céu noturno." Vai dar pra ver aurora boreal daqui de Goiás? *-* omg *-*

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    1. Olá Gabriel!

      Então é como diz na matéria mesmo. Não é certeza, mas segundo especialistas (fonte da NASA e da NOAA), podem acontecer auroras em latitudes médias, mas Goiás não está situado nessa região. Latitudes médias são aquelas entre os trópicos e os pólos, ou seja, no Brasil, abaixo de São Paulo somente. Mas como disse, não é certeza que isso vá acontecer, mas há sim uma chance.

      Um grande abraço, espero ter ajudado!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. infelizmente não Gabriel. Acesse o site: http://www.apolo11.com/atividade_solar.php
    role para o final da página e veja uma explicação sobre os índice kp e os eventos associados a eles. Lá explica os eventos que acontece de acordo com a magnitude da tempestade solar. Abraço!

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  4. Desculpe a pergunta de leigo mas por que a explosão já foi vista (fótons já chegaram) mas o efeito da explosão não?

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    1. Oi,
      dá uma olhada neste outro post
      http://www.galeriadometeorito.com/2014/07/tempestade-solar-pode-danificar-tecnologia.html#.VBMHonVdVpR

      ele explica com mais alguns detalhes

      Qual é o perigo das tempestades solares extremas?

      Tempestades solares extremas representam uma ameaça para todas as formas de alta tecnologia. Elas começam como uma explosão solar. Depois, raios-X e radiação UV extremas chegam à Terra na velocidade da luz, ionizando as camadas superiores da nossa atmosfera; os efeitos dessas grandes Erupções Solares incluem apagões de rádio e erros de navegação GPS.

      Minutos ou horas mais tarde, as partículas energéticas chegam. Movendo-se apenas um pouco mais lento do que a própria luz, elétrons e prótons acelerados pela explosão podem danificar satélites e danificar seus aparelhos eletrônicos. Em seguida, vêm as Ejeções de Massa Coronal (EMC), nuvens de bilhões de toneladas de plasma magnetizado que levam um dia ou mais para chegar até a Terra. Analistas acreditam que um choque direto de uma EMC extrema, como aquela que quase atingiu nosso planeta em 2012, poderia causar apagões generalizados, e a desativação de tudo o que se conecta a uma tomada de parede. A maioria das pessoas nem sequer seriam capazes de ter água em casa, pois o abastecimento urbano de água de grande parte do mundo depende de bombas elétricas.

      Abraço

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    2. É exatamente o que o FeCardona disse Unknown. Essa matéria (que inclusive é recomendada pra quem deseja entender um pouco mais sobre o assunto) explica muito bem como e quando chegam a luz, os raios-x e outros pulsos provenientes do Sol, além de explicar o que eles podem causar!

      Excelente FeCardona! Muito bom, e muito bem lembrado!

      Um grade abraço à todos!

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  5. Acabei de ver no céu de Minas uma grande bola de fogo caindo, seria algo relacionado? Era grande e se movia mais lentamente que uma estrela cadente, além de ser bem maior.

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    1. Boa tarde pessoal!

      Não. O que você observou foi (provavelmente) um bólido, conhecido como "bola de fogo", que é um meteoro muito brilhante e com tamanho maior do que os meteoros comuns que riscam o céu noturno.

      Alguns bólidos podem ser vistos até mesmo durante o dia, e não estão relacionados com a atividade solar, pelo menos até onde se sabe, claro.

      Mas não deixa de ser algo belo de se ver, e um tanto raro... não é todo dia que vemos uma bola de fogo rasgar o céu. Muita boa sorte a de vocês!

      Um grande abraço!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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