Planetas gasosos podem ser bem diferentes do que se pensava, aponta estudo

planeta gasoso hélio
A Galáxia pode estar repleta de gigantes de gás... hélio! 


Apesar do nosso Sistema Solar possuir planetas gigantes gasosos, não existe nenhum que seja enriquecido de hélio, mas isso não significa que eles não existam. Observações feitas pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA, sugerem que a nossa galáxia esteja repleta desses estranhos planetas.

"Nós não temos planetas como este no nosso próprio Sistema Solar", disse Hu Renyu, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. "Mas achamos que planetas com atmosferas de gás hélio podem ser comuns." Hu Renyu é o autor principal do novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal.

Enquanto Hu e sua equipe buscavam por uma classe específica de planetas, conhecidos como "Netunos Quentes", eles perceberam que esses mundos gigantes podiam ser "cozidos" por suas estrelas hospedeiras, fazendo com que a maior parte de seu hidrogênio ficasse pra trás, deixando apenas uma atmosfera enriquecida de hélio.




Muitos planetas "Netunos Quentes" têm aproximadamente o mesmo tamanho do planeta azul do Sistema Solar, Netuno, e por isso eles ganharam esse nome. Netuno e Urano são muitas vezes referidos como "gigantes de gelo", devido a grande proporção de gelo de água, amônia e metano. Agora os cientistas perceberam que a composição de muitos "Netunos Quentes" pode ser um pouco diferente do planeta Netuno, a começar pela falta de hidrogênio.

Netuno quente
Ilustração artística mostra como poderia ocorrer a evaporação do hidrogênio nos exoplanetas da classe 'Netuno Quente'.
Créditos: NASA

"O hidrogênio é quatro vezes mais leve do que o hélio, por isso ele seria o primeiro a desaparecer das atmosferas dos planetas, fazendo com que o hélio fique mais concentrado ao longo do tempo", disse Hu. "O processo seria bastante gradual, levando cerca de 10 bilhões de anos para ser concluído".

A equipe de Hu chegou nessa conclusão após estudar o planeta extrassolar GJ 436b, um Netuno Quente localizado a mais de 33 anos-luz de distância. Ao estudar a luz refletida de GJ 436b (também conhecido como Gliese 436b), os pesquisadores notaram algo marcante: a atmosfera do exoplaneta tinha uma nítida falta de metano.

O nosso planeta Netuno, por exemplo, contém metano, uma molécula que absorve a luz vermelha, dando uma bela tonalidade azul para o gigante de gelo que todos nós conhecemos e amamos. Mas GJ 436b contém pouco ou nenhum metano, e ainda é, aparentemente, rico em carbono.




Os indicadores mostraram que essa classe de exoplanetas é rica em hélio, que depois do hidrogênio, é o segundo gás mais abundante no Universo. O telescópio Spitzer também deduziu uma assinatura química de monóxido de carbono na atmosfera de GJ 436b, mostrando que existe a falta de hidrogênio, e abundância de hélio.

Assim como podemos ver na imagem de capa da nossa matéria, a ilustração artística nos mostra como seriam os "Netunos Quentes". A aparência de cor desbotada se dá por falta do metano, que é o gás responsável pela coloração azul de Urano e Netuno.

Embora os astrônomos não possam observar o hélio desses exoplanetas diretamente, eles esperam que o próximo telescópio espacial, o James Webb, possa atingir esse objetivo. Por enquanto, o Telescópio Espacial Hubble continuará a missão de estudar esses gigantes gelados e sua intrigante composição.




"Qualquer planeta que se pode imaginar provavelmente existe lá fora, em algum lugar, contanto que ele se encaixe dentro das leis da física e da química," disse a co-autora do estudo, Sara Seager, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e do Laboratório de Propulsão a Jato. "Nós já sabemos que os planetas têm variações incríveis de massa, tamanho, órbita... e ao que parece, suas atmosferas também podem ser muito diferentes..."



Fonte: JPL / NASA / The Astrophysical Journal
Imagens: JPL / NASA
12/06/15

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4 comentários:

  1. Mas isto nao esta totalmente contra a teoria que nos estao ensinando na escola sobre formacao de sistemas estelares e seus planetas? Um astro inicialmente composto por gazes torna-se uma estrela, nao e' isso que diz a teoria? Se um planeta solido for cozido por uma estrela a tendencia seria ele cada vez mais rapidamente se afastar da estrela, pois ao se tornar gasoso menor sera sua massa gravitacional e menor a capacidade da estrela de mante-lo por perto. Estou errado?

    Porem o meu modelo astronomico que sugere uma diferente formacao de sistemas solares fica mais uma vez confortavel com cada nova informacao ou imagem que vem do Cosmos, como e' mais este caso dos Netunos-Quentes. Seriam planetas solidos como a Terra mas com intensa atividade de seu nucleo que vai " comendo" as camadas geologicas de dentro para fora, e ao ingerir particulas dos atomos transforma-os em atomos leves gasosos. Enquanto isso vai diminuindo seu elo gravitacional com sua estrela e se afastando para a periferia do sistema. Tais planetas podem ou desaparecerem fragmentando-se em poeira gasosa ou extrapolar os limites do sistema e tornarem-se uma supernova, 'E o que sugere a teoria " A formula Universal da Matrix/DNA Para Todos os Sistemas Naturais", de atomos a galaxias a celulas e corpos humanos. Durante seis ou sete mil anos a humanidade acreditou que o Sol girasse em torno da Terra. H'a 500 anos um filosofo nao-cientista chamado Copernico elaborou um modelo ao contrario e or 200 anos ninguem acreditou nele. Foi apenas quando Galileu obteve provas incontestaveis que a humanidade percebeu que seu mundo estivera de cabeca para baixo,uma gigantesca eolucao no pensamento. Eu nao tenho culpa se ao aplicar metodos diferentes resultou num novo modelo sugerindo mais uma vez que ainda nestes ultimos 200 anos a nossa visao do mundo esteve equivocada e mais uma grande revolucao e' possivel. Raios, todos os dias as novas informacoes e imagens da NASA vem acompanhadas de frases como " isto nao esta de acordo com a teoria vigente, vamo er que reve-la" E assim ficam teimando, rendando e remendando uma teoria que ja parece mais uma colcha de retalhos, ao inves de aceitar o obvio: a teoria academica, o modelo astronomico, esta errado! Enquanto isso ha' 30 anos eu ja acumulei em meu website cerca de 1600 novas informacoes que ou batem perfeitamente ou inclusive ja estavsm previstas pelo modelo.

    Pelo pouco que sei, suspeito que a teoria vigente supoe que o helio destes planetas teriam surgido da fusao nuclear do hidrogenio abundante no espaco, ou seja, estes planetas ja teriam surgido gasosos. Mas o helio foi descoberto pelo quimico sueco Teodor Cleve aqui na Terra justamente como produto do decaimento alfa de material tao solido como o uranio - tal como sugere o meu modelo: ele aparece nestes planetas como produto do decaimento da materia pesada e nao como fase inicial para evolucao rumo a materia pesada. Ou seja, justamente o modelo astronomico academico de cabec para baixo. Mas, eu sou leigo em astronomia, quem sugere este modelo e' a formula da Matrix/DNA e nao eu, e pode estar tudo errado tambem... so o tempo sera o juiz. ( desculpe as falhas gramaticais porque estou usando um computador que so fala ingles, sem acentos, etc.). Mas eu gostaria de um debate com algum astronomo aqui... Grato.

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    1. Pode falar Louis, sou da Universidade de Havard, qual sua duvida?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Parabéns, Morelli. Os dogmas não poderão, e nunca, moldar a liberdade natural e científica de se entender as coisas. Aqui na Terra, se o Metano, dizem, vem do PUM dos seres vivos; então nos gigantes de gelo há PUM alien??? Pôxa! Vamos remoldar nossas "acho que é assim"?? Dogma não! Basta! Há outras possibilidades para modelagem de gigantes de gás!! Nem sempre a natureza concorda com nossos supercomputadores, certo? E se ela é bizarra, então é por que nossa "ciência" ainda é uma criancinha ortodoxa. Mesmo assim, é a maior de nossas riquezas. Calma.... Einstein.... calma; sei que esta frase é tua.

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