Extremófilos podem ajudar na busca de vida extraterrestre

Como seria se encontrássemos vida armazenada em água congelada de mais de 1 bilhão de anos atrás?




No fundo de uma mina em Timmins, Ontário, cientistas extraíram amostras de água de mais de 2 bilhões de anos. Agora, eles estão em uma busca para ver se qualquer forma de vida existe no líquido. Se os microrganismos forem encontrados, muitas portas seriam abertas para uma lista crescente de áreas onde os chamados "extremófilos" (formas de vida que habitam ambientes extremos) poderiam existir.

Se não, no entanto, a constatação nos daria uma lição igualmente importante, comenta Barbara Sherwood Lollar, professora de ciências terrestres e geoquímica na Universidade de Toronto. Esse estudo poderia fornecer informações chaves a sua equipe, disse ela, como trazer uma sugestão de "ambientes abióticos" (ausência de vida), quando um elemento essencial para a vida está ausente. Compreender isso poderia tornar muito mais fácil a procura de vida fora da Terra. 

"Até o momento, é provável que Marte esteja no meio do palheiro abiótico. Estamos procurando por sinais de vida passada, e sabemos agora, com certeza, que a superfície do planeta vermelho parece estar dominada por processos não biológicos," informou Barbara Lollar no Festival de Ciência no dia 28 de Setembro em Toronto. "Mas estamos testando todas as nossas técnicas aqui na Terra, que tem na verdade um problema inverso. Nosso planeta tem tanto sucesso em abrigar e criar a vida que temos poucos lugares para estudar e tenar entender como seriam os processos antes da vida ter surgido."

"Acreditamos que há uma única maneira da vida existir"

Até agora, toda a vida na Terra tem a mesma ascendência, não importa o quão extremo seja o meio ambiente. Que a vida é muito tenaz, os cientistas já descobriram.

Extremófilos foram encontradas em respiradouros vulcânicos, com temperaturas atingindo muito acima do ponto de ebulição Em 2007, a Agência Espacial Europeia lançou deliberadamente microorganismos em uma nave espacial Foton-M3 e os expôs ao vácuo inóspito do espaço. As formas de vida enviadas sobreviveram.

A vida poderia ter acontecido de forma diferente em outros planetas, no entanto, o que torna difícil para os cientistas a descobrir o que procurar. A vida baseada em carbono aqui na Terra pode não ser a mesma cadeia de vida formada em outros planetas.

"Assumimos que há realmente apenas uma maneira de criar a vida, mas isso porque aqui na Terra, nós só conhecemos uma maneira para a formação da vida, que é a nossa. Mas pode ter havido várias experiências e múltiplas formas de "proto-vida" antes de uma assumir, por meio da seleção natural ", disse John Baross, oceanógrafo da Universidade de Washington em Seattle, que também se pronunciou durante o evento.

O calor dos planetas e suas estrelas

Os cientistas acreditavam que a vida só poderia existir se um planeta se encontrasse a uma certa distância de sua estrela, que permitiria a existência de água líquida. Nas últimas décadas, no entanto, os cientistas perceberam que o calor também pode vir de um processo como flexão de maré, como o que ocorre na lua de Júpiter, Io, por conta da gravidade do imenso planeta.

"Imagens da sonda Voyager em 1970 e 1980 revelaram pelo menos seis luas que têm uma camada de água encoberta por outra de gelo', acrescentou Kevin Hand, cientista-chefe adjunto da diretoria de sistema solar do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. "Uma delas é a lua de Saturno, Enceladus."

"Em Enceladus, o oceano está saltando para fora, literalmente. Podemos observar plumas de água saindo das fraturas do gelo de Enceladus ", disse Kevin Hand. 

Embora os cientistas possam ver as áreas que podem ser habitáveis ​​para a vida, Kevin acrescentou que ainda não se pode confirmar se elas realmente abrigam vida. Assim como a química, processos geológicos terrestres já foram confirmados em outros planetas, e ele acredita que a biologia seja o próximo passo.

Nós temos agora as ferramentas e a tecnologia para fazer os experimentos e as medições, e para ver se a biologia juntamente com os princípios que conhecemos aqui na Terra são ou não aplicados além do nosso planeta.

Fonte: Space
25/10/13
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Um comentário:

  1. Na minha opinião, os cientistas deveriam fazer testes mais ousados, testando por exemplo o processo de decomposição de algum animal terrestre em solo marciano... Vai que algum extremófilo decompositor surge? Sou leigo em biologia, por isso da ideia meia estapafurdia.
    Parabéns pela ótima matéria!

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