Especial constelações indígenas (parte 6)

como eram as constelações dos indios
Viaje pela esquecida astronomia indígena em nossa série especial!

A observação do céu sempre fez parte de culturas antigas, e claro que com os índios brasileiros isso não poderia ser diferente.



Assim como ocorre com a Astronomia ocidental, a Astronomia indígena também é muito extensa (e até mais complexa), afinal, estamos falando de várias etnias e culturas diferentes, e por isso, não teria como resumir tudo em um único artigo, por isso, nós do Galeria do Meteorito decidimos fazer uma série. Clique aqui para encontrar o índice e o link dos novos episódios.

Nesse sexto episódio vamos conhecer as duas constelações Wirar Kamy (Caminho da Cruz e Caminho dos Mortos), e a Constelação da Ema.


Wirar Kamy (tenetehara) - Caminho da Cruz ou Grande Relógio
caminho da cruz
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A primeira constelação Wirar Kamy é o Caminho da Cruz, que representa um grande relógio/calendário para os índios do Brasil, pois ela começa a ser visível no mês de março, deitada no horizonte com a parte de cima apontando para o leste, indicando o ápice da estação das chuvas e o fim da semeadura. Os rios ficam altos fazendo a pesca mais difícil, os frutos silvestres se tornam raros, e as doenças tropicais como malária se proliferam, e por isso, essa é considerada a época mais difícil para os índios.




Passados três meses, o cruzeiro se encontra bem alto no céu de junho, indicando o início do período da seca, fartura de colheitas, fartura de banhos de rios, pescas, agradecimentos aos deuses e iniciação das moças da aldeia. Já em setembro, quando a constelação de Wirar Kamy se aproxima do horizonte oeste no início da noite, indica o ápice da estação seca e o início do plantio para o próximo ano.


Wirar Kamy (tenetehara) - A Cruz dos Mortos
constelação Cruz dos Mortos
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A segunda constelação Wirar Kamy dos índios tenetehara é conhecida também como A Cruz dos Mortos. Ela se localiza na região do céu que conhecemos como Constelação de Orion, O Caçador. As estrelas conhecidas popularmente como Três Marias e a Nebulosa de Órion (M42) compõem essa constelação indígena. Ela nasce exatamente no ponto cardeal leste e se põe exatamente à oeste, percorrendo a linha equatorial, caminho dos mortos pela cultura indígena.


Wiranu (tenehara) - Constelação da Ema
constelação da Ema
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Quando a Constelação da Ema (Wiranu), que é a maior ave da Amazônia, aparece no céu noturno, ela indica o início da estação da seca, o que representa a época de colheitas principalmente para os índios do norte e nordeste do país. A cabeça da Ema é formada pela nebulosa escura Saco de Carvão, próximo do Cruzeiro do Sul. A cauda da Ema e grande parte de seu corpo é formada pelas constelações de Escorpião, Ara e Lobo.

Gostou? Confira nossa lista de episódios, afinal seria impossível resumir toda a astronomia indígena em apenas uma matéria... Boa leitura!

Fonte: Cuabamorandu / Germano Bruno Afonso / Observatórios Virtuais / Vitae / Melissa Oliveira (antropóloga) / Aikewara.blogspot / ISSUU / Planetário  UFSC (etnoastronomia) / pib.socioambiental.org
13/03/15

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3 comentários:

  1. PARABÉNS!! Eu me emociono com estas reportagens. Estou torcendo para que vocês lancem um livro sobre o assunto e que êste seja adotado pelo Min. da Educação às bibliotecas das escolas. Que linda esta Astronomia Indígena. Isso sim é BRASIL! Brasil é originalidade! É a verdadeira criatividade. É a autêntica identidade! Esmagados pela absurda europeidade, vamos nos levantar. Há vida ainda! Nossa cultura é inigualável! A natureza é o eterno presente feliz que Deus nos dá, 24h por dia. E a poluimos... "A vida moderna do homem branco é a escuridão de seu futuro". (do filme o último dos Moicanos)

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    1. Muito obrigado fora do ar! Sim, realmente temos planos sobre o lançamento de um livro! Obrigado pelo incentivo! Um grande abraço, e um ótimo fim de semana! Obrigado mais uma vez!

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  2. Há um livro sobre constelações indígenas publicado. O nome do autor é Germano Afonso!

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