Especial constelações indígenas (parte 13)

arqueoastronomia etnoastronomia indigenaViaje pela esquecida astronomia indígena em nossa série especial!

A observação do céu sempre fez parte de culturas antigas, e claro que com os índios brasileiros isso não poderia ser diferente.


Assim como ocorre com a Astronomia ocidental, a Astronomia indígena também é muito extensa (e até mais complexa), afinal, estamos falando de várias etnias e culturas diferentes, e por isso, não teria como resumir tudo em um único artigo, por isso, nós do Galeria do Meteorito decidimos fazer uma série. Clique aqui para encontrar o índice e o link dos novos episódios.

Nesse décimo-terceiro episódio vamos conhecer a arte rupestre astronômica deixada pelos antigos nativos, e que estão espalhadas em diversas regiões do Brasil. E qual é a importância dessas pinturas e desenhos tão antigos?

pinturas rupestre no Brasil - Parque Nacional da Serra da Capivara, Brasil
Pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara, Brasil. Créditos: Wikimedia Commons
Clique na imagem para ampliar

A arte rupestre é formada por pinturas ou gravuras deixadas pelo homem pré-histórico sobre superfícies de rochas, grutas, canyons, etc... A arte que chamamos de "rupestre" é conhecida como Itacoatiara em tupi-guarani, e significa pedra pintada.

Através de estudos e pesquisas da arte rupestre, podemos conhecer o nosso passado, entendendo como outras culturas e povos antigos viam o céu, seu meio-ambiente, sua cultura, seu dia a dia e sua realidade. O mundo todo conhece a arte rupestre dos aborígenes australianos, dos africanos, mas infelizmente, a arte rupestre deixada pelos antigos índios da América do Sul não são amplamente divulgadas ou estudadas, principalmente a arte rupestre astronômica, já que são mais difíceis de serem interpretadas.

Alguns desenhos antigos podem ter semelhanças surpreendentes com outras pinturas feitas em continentes e regiões distantes, como é o caso de uma gravura com um círculo no centro e uma circunferência em volta e repleta de raias ao seu redor, encontrada em Boa Esperança, no Paraná. Em Carschenna, nos Alpes Suíços, por exemplo, existe um desenho muito parecido, que os arqueólogos estrangeiros estudaram e concluíram que trata-se de uma representação solar, assim como aquela encontrada no Brasil.




De acordo com a datação e com a interpretação de um dos desenhos, por exemplo, podemos perceber que os índios observaram um grande cometa muito antes da chegada dos europeus. Atualmente, este local está submerso pelas águas da Usina de Salto Caxias. Provavelmente, assim como ocorria com outras culturas antigas, esse cometa pode ter amedrontado os nativos, e muitos rituais, danças e orações devem ter sido feitas em decorrência do grande cometa, que é um objeto único, diferente de tudo que vemos normalmente durantes as noites.

A professora Maria Beltrão, coordenadora do Projeto Central, na gruta do Cosmos, no município de Central, Bahia, observou um painel com pinturas rupestres astronômicas, e uma delas parecia retratar a queda de um meteorito. A maioria das pinturas dessa gruta são semelhantes às de Boa Esperança do Iguaçu, e de outras existentes em diversas partes do mundo.

Agora nós vamos conhecer um painel com algumas gravuras (réplicas) daquelas encontradas em morros, rochas e grutas espalhadas pelo Brasil. Com certeza, essas são apenas algumas de muitas que existem, mas que infelizmente não são muito exploradas.



Arte rupestre do Sol
Arte computacional de gravura rupestre representando o Sol
(Boa esperança do Iguaçu - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando um eclipse solar
(Boa Esperança do Iguaçu - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando a Lua
(Boa Esperança do Iguaçu - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando uma constelação
(Boa Esperança do Iguaçu - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando uma conjunção de planetas
(Piraí do Sul - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando um cometa
(Boa Esperança do Iguaçu - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando um meteoro ou a queda de um meteorito
(Central - BA)



Arte computacional de gravura rupestre, possivelmente representando o ciclo dia e noite
(Central - BA)



Arte computacional de gravura rupestre com uma circunferência e pequenos círculos, ainda sem possível interpretação. (Boa Esperança do Iguaçu - PR)



Arte computacional de gravura rupestre representando um pequeno círculo e circunferências concêntricas, ainda sem possível interpretação. (Boa Esperança do Iguaçu - PR)


A Rosa dos Ventos dos índios 

Ainda segundo o físico, astrônomo e pesquisador da arqueoastronomia, Germano Bruno Afonso, os índios guaranis têm uma rosa dos ventos. Segundo relatos dos índios, no céu existiam palmeiras azuis representando os quatro deuses (os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste), e suas quatro esposas (os pontos colaterais: nordeste, sudeste, sudoeste e noroeste) formando uma rosa dos ventos. Durante uma de suas explorações, encontraram um rosa dos ventos, em Itapejara D'Oeste, na beira do rio Chopim. Tratava-se exatamente de um círculo de palmeiras. Um teodolito (instrumento de precisão de ângulos) confirmou que as direções estavam corretas, com ângulos perfeitos e simétricos.

Através da Arqueoastronomia e da Etnoastronomia, podemos perceber a riqueza de sociedades antigas através de uma perspectiva única. Com isso, percebemos também a pluralidade cultural e a necessidade de respeitar essas diferenças. Quando as pessoas olham para o céu, elas não enxergam apenas agrupamentos de estrelas, mas sim histórias, imagens e símbolos que estão presentes em seu cotidiano. Essa exteriorização de sua cultura, estampada no firmamento celeste, em artefatos e desenhos, não só ajuda na conclusão de tarefas do dia a dia, mas também eterniza suas crenças, seus valores e costumes.




Gostou? Confira nossa lista de episódios, afinal seria impossível resumir toda a astronomia indígena em apenas uma matéria... Boa leitura!

Fonte: Cuabamorandu / Germano Bruno Afonso / Observatórios Virtuais / Vitae / Melissa Oliveira (antropóloga) / Aikewara.blogspot / ISSUU / Planetário  UFSC (etnoastronomia) / pib.socioambiental.org / Osvaldo dos Santos Barro / Universidade Federal do Pará / Aldeia Teko Haw / Flavia Pedroza Lima / Planetário do Rio de Janeiro / Diones Charles Costa de Araújo (DF) / Melissa Oliveira (antropóloga) / blog aikewára / http://staff.on.br/maia/AstroPoetas/Tuparetama/arqueoastronomia/arquivos/arqueo.html
29/05/15


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7 comentários:

  1. Gosto muito da abordagem desta série. É sempre muito bom ver a cultura dos índios sendo valorizada. Parabéns pelo trabalho.

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    1. Olá Diego! Muito obrigado pelo elogio e também por sua participação. Tomamos a iniciativa de fazer essa série porque é como dizemos na matéria: a astronomia indígena é muito rica, muito ampla, e é uma pena que ela não seja repassada para as pessoas. Claro, para localização mundial, usamos a astronomia ocidental amplamente divulgada e aceita pelos astrônomos e suas entidades, mas é extremamente enriquecedor conhecer a cultura de outros povos, e conseguir identificar as figuras que eles viam (e ainda vêem) no céu noturno. è como ganhar um novo céu, com novas formas e desenhos.

      Um grande abraço Diego, e seja sempre bem vindo em nosso site!

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    2. Já indiquei o site (e principalmente a série) a várias pessoas! Nota 10 para todos!

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    3. Muito obrigado Diego Camilo! Isso nos deixa muito felizes, pois é extremamente gratificante fazer um trabalho como esse e ter tanto apoio do nosso público! Muito obrigado mais uma vez! Obrigado também por indicar o site a seus amigos e conhecidos! Espero que eles também gostem! Um grande abraço, e esperamos que em breve tenhamos novidades sobre essa série :)

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  2. Bom dia!
    Em Macaúbas Bahia temos um sítio com alguns observatórios astronômicos indígenas. No livro 'A astronomia indígena', de Luís Galdino, figura, na capa, a fotografia de um destes. Se for do interesse de vocês posso conseguir fotografias.
    Um abraço.

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    1. Com certeza seria muito interessante, e acrescentaria conteúdo a matéria. Muito obrigado!

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  3. Adorei, como professora encontro muito pouco para repassar para os alunos da ciência indígena. Apesar de ter uma lei para que seja ensinado sobre cultura indígena, tenho dificuldade em encontrar algo mais do que festas e ornamentos. Obrigada me acrescentou muito.

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