Grande Nuvem de Magalhães: 3 objetos extremos foram detectados pela primeira vez

A Grande Nuvem de Magalhães é uma verdadeira caixinha de surpresas


Uma equipe internacional de astrônomos que trabalha nos Telescópios High Energy Stereoscopic Systems (HESS) fez uma descoberta empolgante, e inédita! Eles encontraram 3 fontes de raios-gama extremamente luminosas na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã satélite da Via Láctea. A grande descoberta nos revela 3 diferentes objetos: o mais poderoso pulsar; o maior remanescente de supernova de vento de pulsar e uma bolha de 270 anos-luz de diâmetro repleta de estrelas e supernovas, chamada de Super-bolha.

Segundo o professor Sergio Colafrancesco, da Escola de Física de Wits, essa descoberta representa um avanço muito importante para a ciência, e abre caminho para o estudo de galáxias externas através de telescópios, como o Cherenkov Telescope Array (CTA), no deserto da Namíbia, que permitirá o estudo da evolução das galáxias, suas estruturas e seus ciclos de vida.




Raios gama de alta energia são os melhores indícios de aceleradores cósmicos, como remanescentes de supernovas e de nebulosas de ventos de pulsares, que são produtos finais de estrelas de grande massa, onde as partículas carregadas são aceleradas a velocidades extremas. Quando estas partículas encontram luz ou gás em torno dos aceleradores cósmicos, elas emitem raios gama.

A Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia anã satélite da Via Láctea, localizada a cerca de 170.000 anos-luz de distância, facilmente observável no céu noturno. Ela é uma galáxia com uma taxa elevada de formação de estrelas massivas, e abriga inúmeros aglomerados estelares maciços. A taxa de supernovas na Grande Nuvem de Magalhães chega a ser 5 vezes maior do que a da Via Láctea, por isso os cientistas priorizam essa galáxia vizinha na busca por raios gama de alta energia.

descoberta na Grande Nuvem de Magalhães
Créditos: HESS         /         Clique na imagem para ampliar

Num total de 210 horas, o HESS observou a maior região de formação de estrelas dentro da Grande Nuvem de Magalhães, que é conhecida como Nebulosa da Tarântula. Pela primeira vez foram observadas fontes individuais de raios gama de alta energia em outra galáxia, e com isso, três objetos extremamente energéticos de diferentes tipos foram detectados.




A chamada Superbolha 30 Dor C é a maior concha de emissão de raios já conhecida, feita por várias supernovas, estrelas e fortes ventos estelares. Acredita-se inclusive, que as superbolhas sejam responsáveis pela criação de raios cósmicos galáticos. O HESS demonstrou que essas bolhas são grandes fontes de partículas altamente energéticas.

Pulsares são estrelas de nêutrons altamente magnetizadas em alta rotação, que emitem um vento de partículas ultra-relativistas. O mais famoso pulsar localiza-se na Nebulosa do Caranguejo, uma das fontes mais brilhantes de raios gama de alta energia que podemos encontrar no céu.

O pulsar PSR J0537?6910 responsável pela nebulosa de vento de pulsar N 157B, descoberta na Grande Nuvem de Magalhães com os Telescópios HESS, é em muitos aspectos, um irmão gêmeo da Nebulosa de Caranguejo em nossa pró´ria galáxia. No entanto, a nebulosa de vento de pulsar N 157B ofusca a Nebulosa do Caranguejo por uma ordem de magnitude, principalmente com seus raios gama de alta energia.




O remanescente de supernova N 132d, conhecido como um objeto brilhante quando observado em ondas de rádio e infravermelho, parece ser um dos mais antigos remanescentes de supernova de seu tipo. Ele existe há cerca de 2.500 ou 6.000 anos, e supera os fortes remanescentes de supernovas em nossa galáxia. As observações confirmam as suspeitas de que os restos de supernovas podem ser muito mais brilhantes do que se pensava.

Em um futuro não tão distante, o grande Telescópio Cherenkov Array (CTA) irá fornecer imagens ainda mais precisas e de maior resolução, mostrando as fontes de raios gama da Grande Nuvem de Magalhães, a nossa vizinha que nos intriga a cada observação.




Fonte: DailyGalaxy / University of Witwatersrand
Imagens: (capa-HESS) / HESS / University of Witwatersrand
30/01/15

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