Inscrição milenar mostra que os babilônios sabiam muito mais sobre Astronomia do que imaginamos

antigas inscrições babilônicas
Através de cálculos precisos, os babilônios compreendiam o céu noturno de forma surpreendente!



Inscrições babilônicas antigas descrevem como encontrar Júpiter no céu noturno, utilizando uma técnica astronômica 1.500 anos à frente de seu tempo! Os resultados do estudo foram publicados na revista Science.

O movimento que Júpiter traça no céu (acelerando e desacelerando dia após dia, por conta da combinação de sua órbita e da Terra) deve ter deixado antigos astrônomos perplexos, fazendo com que eles desenvolvessem técnicas de medição e rastreamento complexas.

Uma antiga escrita cuneiforme, descoberta recentemente, fala exatamente sobre isso: como rastrear Júpiter no céu. Quando combinados com outros quatro achados arqueológicos, percebemos que os babilônios usavam uma técnica surpreendentemente moderna para calcular o movimento de Júpiter ao longo dos meses. Os cálculos usados levam em conta uma matemática complexa, de aceleração e tempo, que só surgiria novamente em 1350, originando o  cálculo moderno.

Antigas inscrições babilônicas- Trustees of the British Museum - Mathieu Ossendrijver
Antigas inscrições babilônicas com informações e cálculos complexos para determinar
o movimento de Júpiter no céu noturno. Créditos: Trustees of the British Museum / Mathieu Ossendrijver

Hoje em dia fazemos conexões entre tempo e distâncias, o que ajuda, por exemplo, um viajante a entender quanto tempo leva para chegar a uma cidade vizinha, de carro, de ônibus ou de trem (o que irá variar de acordo com a velocidade média de cada meio de transporte).

"Isso é muito familiar para qualquer estudante de matemática ou de física", disse Mathieu Ossendrijver, astro-arqueólogo da Universidade Humboldt de Berlim. Mas usar o tempo como uma variável para determinar a velocidade ou a distância nem sempre fez parte da cultura humana. O uso de gráficos para compreender o movimento ou a velocidade ao longo do tempo surgiu recentemente, em meados de 1350, nas Universidades de Oxford e de Paris, e depois, Isaac Newton desenvolveu um cálculo integral. "O que percebemos agora é que esse método já tinha sido inventado na Babilônia, mais de 1500 anos antes."




Mathieu era um astrofísico antes de começar a estudar inscrições antigas da escrita cuneiforme, em 2005. Em 2012 ele publicou um livro com traduções de antigas inscrições babilônicas, que detalham inclusive cálculos astronômicos e tabelas complexas.

Esses cálculos sobre a trajetória de Júpiter devia realmente ser muito importante para a sociedade daquela época, considerando a associação de Júpiter com o deus principal da antiga Babilônia, Marduk.




Segundo achados anteriores, baseados em aritmética, os astrônomos babilônicos mediam a distância que Júpiter percorria no céu em um primeiro dia, e calculavam essa distância por 60 dias. As inscrições recentemente descobertas mostram que ao invés de calcular 60 dias seguidos, eles criaram um método para calcular apenas o 1° e o 60° dia, e com isso, obtinham a distância total percorrida.

Ilustração artística de antigos babilônios examinando o céu
Ilustração artística de antigos babilônios examinando o céu. Artista desconhecido
Créditos: divulgação

A tecnologia avançada foi encontrada em apenas 4 antigas inscrições até o momento, e todas usam palavras diferentes, mas falam do mesmo método. Foram encontradas inscrições e cálculos apenas sobre Júpiter, mas isso abre uma grande possibilidade dos babilônios terem tido conhecimento avançado também sobre outros planetas e seus movimentos no céu.

Um fato curioso é que todos os cálculos lidam com exatamente 60 dias de cálculos, ou 60 dias de observações. Até hoje a Astronomia moderna é baseada em muitos estudos da Astronomia Babilônica, como as constelações do zodíaco, e o sistema de graus, minutos e segundos, para calcular distância no firmamento, também em unidades de 60. Observações e técnicas babilônicas foram traduzidas para o grego, e comprovam tamanho conhecimento desse povo antigo, que habitava a região da Mesopotâmia, onde hoje encontra-se o Iraque.




Ao conhecer as "novas" técnicas e habilidades astronômicas da antiga Babilônia, muitos cientistas já se perguntam sobre a real origem do nosso conhecimento, afinal, muita coisa "criada" a pouco tempo pode na verdade ser algo que já era muito bem conhecido pelos babilônios. Arqueólogos acreditam que ainda exitem muitas inscrições esperando para serem descobertas, isso sem contar com trechos que ainda não foram compreendidos pelos especialistas. Ainda assim com o pouco que já desvendamos podemos afirmar com toda a certeza que o conhecimento da antiga Babilônia era realmente astronômico...



Fonte: Space / Wikipedia
Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / Trustees of the British Museum / Mathieu Ossendrijver / divulgação
12/05/16


Gostou da nossa matéria?
Curta nossa página no Facebook
para ver muito mais!


Encontre o site Galeria do Meteorito no FacebookTwitter e Google+, e fique em dia com o Universo Astronômico.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

19 comentários:

  1. Interessante, por isso é bom não duvidar de escritos antigos. Se procurarem bem,deverão achar muitos importantes e surpreendentes nos dos sumérios.

    ResponderExcluir
  2. OS BABILÔNIOS FOI UMA CIVILIZAÇÃO MUITO AVANÇADA, TEMOS MUITO O QUE APRENDER COM O QUE RESTOU DESTA INCRÍVEL CIVILIZAÇÃO, IMAGINEM SE ESSE CONHECIMENTO NÃO FOSSE INTERROMPIDO E EVOLUÍSSE ATÉ OS DIAS DE HOJE.VALEU ABRAÇOS\o/

    ResponderExcluir
  3. Cara, imagina como era olhar para o céu quando não existia luz elétrica, poluição, etc. Devia ser um espetáculo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não deve ser muito diferente do que algumas vezes eu vi em uma ilha que os moradores só tinham lamparinas (espécie de vela metálica com combustível líquido). Era possível ver estrelas minúsculas e o céu ficava tomado completamente, além disso, era possível ver com clareza as duas galáxias conhecidas como Nuvens de Magalhães, que se assemelham a uma nuvem de estrelas e os mais desavisados pensam ser uma nuvem (terrestre) pela densidade. Faz tempo que não vejo mais a olho nu as tais nuvens.

      Excluir
    2. Essas regiões com - zero poluição luminosa - ainda existem. Mas sobrou poucas regiões no mundo com céus privilegiados desse tipo.
      Dizem que em céus perfeitamente escuro, as nuvens são enxergados apenas como regiões vazias, onde você apenas percebe que tem algo ali, devido ao bloqueio das luzes das estrelas do céu de fundo.

      Excluir
    3. Sim, Milton, por isso eu disse que muitos creem ser uma nuvem terrestre, daquelas que são densas o suficiente pra que sejam percebidas, mas me referi a nuvem de estrelas, porque se forçarmos a visão por algum tempo, percebemos que não é uma nuvem natural, até porque ela não se move em relação a outras estrelas.

      Excluir
    4. Eu mesmo só percebi depois da quinta ou sexta noite que olhei pro céu e percebi que aquelas nuvens pareciam ser as mesmas que já tinha visto outras vezes e como era bem ignorante em astronomia, nem fiquei sabendo no momento do que se tratava, mas tinha chegado à conclusão de que não eram nuvens terrestres. Somente bem depois e por acaso, tomei conhecimento do que eram de fato.

      Excluir
    5. Ainda não tive o privilégio de ver um céu assim, como esse que você já teve a chance de ver, Elias. Mas as nuvens a que me referi, seriam as nuvens comuns do céu, onde em um céu perfeitamente escuro e longe de luzes de cidades, aparecem como buracos no céu, devido a sua escuridão. Esse seria um céu de classe 1 na escala bortle. Rarissimo de encontrar um céu desses...

      Excluir
    6. Agora entendi e como faz tempo, não posso recordar se havia nuvens ou não, mas como via as estrelas mais ínfimas e parecia não ter locais vagos, acredito que o céu estava limpo naqueles dias.

      Excluir
    7. Espero um dia ter a chance de encontrar um céu assim. É uma pena olhar para o céu da minha região e não ver nada além de um céu apagado, pincelado por alguns poucos alvos luminosos. =/

      Excluir
    8. Moro em Macapá, capital do Amapá. Na capital ainda dá pra ver um céu límpido e estrelado, mas não chega nem perto do que era uns 15 a 20 anos atrás. Por sorte, o Estado é cheio de locais no interior com características da capital de antigamente, mas o espaço territorial é meio grande e torna as viagens distantes, aliado a rodovias mal cuidadas, não dá nem pra aproveitar um fim de semana pra curtir o céu em outras localidades. Ao menos não com frequência.

      Excluir
    9. Esse problema é devido ao mal direcionamento da iluminação pública das cidades. Aqui em São Paulo já era ruim há uns 15 anos atrás. Agora está quase impossível.
      Para você ter ideia do problema, em noites nubladas, o céu não fica escuro, mas sim vermelho. É a imagem do purgatório.

      Excluir
  4. oxii, venha pra cá. ce ver o que é ceú limpo aqui é bacana so que é muito calor kkkk
    aki vc ver tudo, tudo msm.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você tem sorte de ter um céu tão bom ai onde mora. Deveria comprar um telescópio para explorar essa maravilha de céu noturno.

      Excluir
  5. cara aqui no verao e no inverno da pra ver o ceu limpo e satelites passando e naves tambem e meteoritos a cair perto da minha casa é pena que eu nao tenho dinheiro pra comprar um detetor de metais eu tenho 4 meteoritos encontrados so com um iman pequeno no meio do monte.

    ResponderExcluir
  6. cara aqui no verao e no inverno da pra ver o ceu limpo e satelites passando e naves tambem e meteoritos a cair perto da minha casa é pena que eu nao tenho dinheiro pra comprar um detetor de metais eu tenho 4 meteoritos encontrados so com um iman pequeno no meio do monte.

    ResponderExcluir
  7. Excelente matéria. Muitos povos antigos realmente tinham muito conhecimento sobre o cosmo!

    ResponderExcluir
  8. Gostei muito desta matéria, ela me remete aos alienígenas do passado!

    É comum hoje vermos que a história nos conta que as civilizações da antiguidade possuíam um conhecimento vasto em astronomia. Porém poucos aceitariam acreditar que todo esse conhecimento foi dado ao homem por seres celestiais (antes chamados de deuses pagãos ou anjos e hoje alienígenas) e não simplesmente aprendido de modo natural. Apesar de ser claro, muito claro isso, o sistema mundial ainda faz de tudo para encobrir tais informações da população. Não porque eles não querem impactar a população ou protegem a integridade da existência de Deus, mas sim porque existe um plano sendo gerado aos poucos. A Grande Mentira se aproxima anunciando o fim de nossa civilização, a farsa alienígena de inserir na mente de todos que somos simples material cósmico e não obras primas de Deus! Sou cristão e acredito na ideia do Design Inteligente - pesquisem antes de falarem sobre. Antes que alguém venha me criticar em algum comentário, não vim aqui pregar religião ou querer que as pessoas acreditem no que digito e venham terem um rela questionamento sobre o assunto! Afinal são os questionamento que fazem o homem todos os dias evoluir intelectualmente todos os dias.

    Não sou leigo em astronomia, muito pelo contrário, a amo pois acredito que os maiores mistérios do Universo estão lá fora! Gosto muito de filmes de ficção científica, pois eu sei que muitas coisas que o ser humano do passado interpretou de modo sobrenatural, hoje temos a ciência para explicar no mínimo 10% delas! Também amo arqueologia, estudo suas vertentes e claro, ciência biológica.

    Não apenas a babilônia, mas as principais nações deste período possuíam um grande conhecimento sobre as coordenadas estelares. Acredito que a humanidade tenha provas o suficiente para comprovar que seres distintos inteligentes nos ensinaram a dar os primeiros passos. Só não podemos confundir todos esses seres como bem feitores. Muitos falam sobre o planeta X, mas que tal lerem um livro que hoje é o maior indicio de influência celestial como o Livro de Enoque? Recomendo a todos, cristãos, adeptos a outras crenças e ateus! Com certeza essa literatura judaica tem um incrível valor histórico e cultural sobre o que esses seres andaram fazendo por aqui há milênios atrás... Nele narra como tais seres influenciaram a raça humana em diversas ciências no príncipio de nossa Era.

    Claro existem por toda a história seres que desceram do "Céu" e influenciaram a cultura humana direta e indiretamente, entretanto, como cristão, me posiciono em acreditar que os Sete Céus, ou regiões dimensionais como queiram chamar, é regido por Deus e sub gerenciado por diversas infinidades de seres que os homens do passado chamavam de anjos, serafins, querubins, arcanjos, enfim, pesquisem sobre tudo isso e verão como as peças se encaixam perfeitamente, claro, muitas coisas nunca terão explicação nesta vida, mas valerá a pena cada segundo enquanto este durar.

    Estudem bastante sobre nosso planeta, sobre todas as nossas culturas, pois o conhecimento enriquece o homem, mas apenas o homem que sabe usá-lo para o bem do próximo.

    Relaxem nos comentários galera, não estou criticando ninguém e nem nenhuma outro tipo de pensamento ideológico. Só estou dando a minha opinião sobre está matéria incrível! =D Obg rsrsrs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se você acredita que a humanidade precisou de um empurrãozinho de outros seres, então está desprezando o gênio humano e sua incrivel capacidade de fazer o máximo, com o minimo disponível.
      Johannes kepler no século XV conseguiu descrever as órbitas planetárias, sugerindo 3 leis da física que valem com precisão até hoje. E não há qualquer menção a seres ou entidades imagináveis, em seu trabalho.
      Erastótenes, um grego que viveu há mais de 2 mil anos, calculou o raio e a circunferência da Terra utilizando apenas a observação da projeção da sombra do Sol em duas cidades distintas. E mais uma vez, não precisou de nenhum empurrãozinho "especial" para isso.
      Essa descrença no genio humano é o mesmo que leva muitos a acreditarem até hoje que as piramides não é obra do ser humano. Mas quem conhece a evolução da história egipcia sabe que as piramides mais antigas eram mais rusticas e em formato de escada. Posteriormente foram evoluindo para formas mais retas e com laterais polidas, porém com diversos exemplos de erros de engenharia, até alcançar a perfeição das grandes piramides. Então, se as piramides é uma obra alienigena, não deveria ter erros de calculos estruturais nas piramides mais antigas, não é mesmo?!
      E para concluir, só porque algo é dificil de nós entendermos, não significa que ela não é obra humana. Nossa limitação não é parâmetro para explicar os limites da inteligência humana, que te garanto, está muito acima da nossa vã imaginação.

      Excluir