Isso é o que acontece com o corpo de um astronauta ao voltar do espaço

problemas de astronautas no espaço
Os astronautas passam por sérios problemas ao retornarem a Terra...



Quem não se lembra do astronauta Scott Kelly? Ele fez história ao bater um recorde de tempo no espaço, permanecendo praticamente 1 ano na Estação Espacial Internacional. O intuito da missão foi justamente testar os limites humanos, e entender as mudanças em nosso corpo após tanto tempo em condições de micro-gravidade (ou de ausência de gravidade).

E diante de várias mudanças biológicas, o astronauta Scott Kelly teve alguns efeitos curiosos e bizarros em seu corpo. Confira os que mais chamaram a atenção dos cientistas:


Ganho de altura e problemas de espinha
Scott Kelly e seu irmão Mark Kelly
Scott Kelly (à direita) e seu irmão gêmeo idêntico Mark Kelly (à esquerda).
Créditos: NASA

Scott Kelly ganhou 5 cm de altura, se tornando mais alto do que seu irmão gêmeo idêntico (que permaneceu na Terra).

Mas apesar de bizarro, esse efeito já era esperado. Sem a gravidade, a espinha dorsal de uma pessoa tende a se alongar. Isso não acontece aqui na Terra, afinal, a gravidade faz o oposto, comprimindo a nossa espinha e aglutinando tudo no menor espaço possível.




Deixando a parte "curiosa" de lado, esse efeito de alongamento espinhal faz com que os astronautas sofram (e muito) ao retornarem para a Terra. Após tanto tempo na ausência de gravidade, a espinha "se acostuma" com a vértebras mais separadas, e quando sentimos a gravidade novamente, as dores são intensas, já que tudo está tentando se encaixar novamente. Seria como uma forte pressão em nosso corpo, o tempo inteiro!

Porém, mesmo que Scott Kelly tenha gostado de sua nova altura, a tendência é que, agora na Terra, sua espinha se comprima novamente, fazendo com que ele retorne a sua altura normal, após muitas dores, é claro...


Inchaço no rosto e no crânio 
Scott Kelly na Estação Espacial Internacional
Scott Kelly na Estação Espacial Internacional. Créditos: NASA

Na Terra, a força da gravidade não reflete apenas em nossa espinha, como também em todo nosso corpo. Ela está constantemente empurrando (ou puxando) os fluídos corporais para baixo.

Por outro lado, quando estamos no espaço, o nosso sangue, urina, e até mesmo o fluido intersticial (que envolve nossas células) ficam livres para se distribuir uniformemente, dos pés a cabeça. Por conta desse efeito, cerca de 2 litros de líquidos se deslocam dos pés e vão em direção a cabeça (em uma missão de 1 ano no espaço). Por conta disso, o efeito mais notável dessa "redistribuição de fluidos" é a famosa "cara de Lua", que faz com que o rosto do astronauta fique inchado. Isso acontece mesmo em curtos períodos no espaço...


Miopia espacial
Astronauta Chris Ferguson - teste de visão
Astronauta Chris Ferguson durante testes de visão. Créditos: NASA

Outra coisa que acontece é que, mesmo com visão perfeita, os astronautas retornam míopes após uma viagem espacial. A miopia espacial é causada pelo aumento na quantidade de líquidos que rodeiam o cérebro, pressionando o nervo ótico, e por consequência, deformando os globos oculares dos astronautas. No caso na miopia espacial, ainda não se sabe ao certo quanto tempo o corpo leva para se recompor.


Mutações genéticas
Danos no DNA - Dr Jon Heras
Ilustração. Créditos: Dr. Jon Heras

A radiação do espaço tem o pode de danificar o nosso DNA, e para entender isso melhor, um estudo adicional está sendo feito. A investigação será feita ao comparar o DNA de Scott Kelly com seu irmão gêmeo (que permaneceu aqui na Terra). Como os dois possuem o mesmo código genético, os cientistas poderão identificar se realmente houve mutação genética em Scott Kelly, e se sim, qual foi o grau dessa mutação.




Entender melhor sobre a mutação genética causada pela radiação ajudará nas futuras missões interplanetárias, afinal de contas, se pretendemos colonizar Marte, e talvez até outros planetas, precisamos entender se a radiação espacial pode alterar significativamente o nosso corpo e nosso DNA.


Redução de densidade óssea e muscular
astronauta esteira -  Karen Nyberg
Astronauta Karen Nyberg durante exercícios de esteira.
Créditos: NASA

A gravidade da Terra nos puxa para baixo o tempo inteiro, nos mantendo presos ao chão, e o simples ato de ficar em pé, por exemplo, já é suficiente para contrair e forçar a musculatura, exercitando o nosso corpo. Mas no espaço, isso não acontece...




Na ausência de gravidade, os músculos não são usados, e começam a desaparecer. O mesmo acontece com os ossos, que perdem cerca de 12% de densidade por mês, o que pode ser reduzido para 1,5% ao mês. A perda óssea também pode acarretar muitas pedras nos rins. Justamente para diminuir esses efeitos, os astronautas a bordo da Estação Espacial fazem cerca de duas horas e meia de exercícios por dia, incluindo esteira e outras máquinas especiais.


Diminuição do fluxo sanguíneo
Astronauta Aki Hoshide
Astronauta Aki Hoshide durante coleta de sangue na Estação Espacial Internacional.
Créditos: NASA

O sangue e seu fluxo são altamente afetados durante um período no espaço. Por conta da falta de gravidade, o coração não precisa bombear tanto sangue para o corpo e para o cérebro, e rapidamente os astronautas se adaptam a isso. Porém, o grande problema ocorre ao retornarem para a Terra.




Ao sentir a pressão da gravidade terrestre, o coração se esforça para retomar o bombeamento de sangue, e com isso, o cérebro pode ficar sem oxigênio por curtos períodos de tempo. Por isso, quando assistir uma entrevista de um astronauta que acabou de voltar à Terra, e ele parecer um pouco alterado, não pense que ele está bêbado... é só o cérebro que não está conseguindo o oxigênio necessário...



Fonte: NASA
Imagens: (capa-NASA/Comandante da Skylab 2, Charles Conrad, durante exames médicos feitos por Joseph Kerwin) / NASA / Dr. Jon Heras / NASA
22/06/16


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17 comentários:

  1. MUITO LEGAL A MATÉRIA, EU ESTAVA ESPERANDO ESSES RESULTADOS DO SCOTT KELLY HÁ UM TEMPO, O ESPAÇO DETONA O ORGANISMO DO SER HUMANO. TALVEZ NO FUTURO AS ESTAÇÕES ESPACIAIS POSSAM GERAR GRAVIDADE ARTIFICIAL, PRA DIMINUIR ESSES EFEITOS. NÃO DEVE SER FÁCIL HORA NENHUMA SER ASTRONAUTA, TEM QUE SER APAIXONADO MESMO PELO ESPAÇO.\O/

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    Respostas
    1. Muito obrigado Mario!

      De fato, o espaço causa sérios problemas. Uma nave espacial com gravidade própria iria evitar grande parte deles. Existem alguns modelos para criar naves como essa, mas ainda não saíram do papel... quem sabe num futuro próximo?....

      Abraços!

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  2. Quer dizer que os marcianos humanos terão dor nas costas, 5cm mais altos, desgastes de descalcificação, zonzura, náuseas e distribuição aleatória dos fluidos corporais? ooooooo
    acho que vou ficar por aqui mesmo. Será que colonizar o espaço vai rolar pra nossa raça? ou KKKAAAAABBBBBUUUUUUUUMMMMMMMMMM?? Acho que a segunda opção é mais visível. Ou a engenharia genética dedica-se a todo vapor à adaptação do nosso organismo no espaço ou nóis murcha manoooooo.

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    Respostas
    1. Isso acontece sem gravidade, isso nao te garante que outros planetas que no futuro podemos colonizar como marte não tenham gravidade

      Marte tem 2/3 da gravidade da terra isso talvez diminuiria os impactos ocorridos no corpo humano em outro planeta

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  3. E a teoria da relatividade de Einstein? Acho que é a mais interessante!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Muito interessante esses dados. Isso demonstra que a exploração espacial precisará de algo a mais, além da mera adaptação humana ao espaço. Alguns filmes, como: "Interestellar" e "2001 Uma Odisseia no Espaço", já deram a sugestão para driblar esse problema, com naves espaciais giratórias que simulam a gravidade.
    A pergunta é: será que na construção da ISS, não utilizaram esse conceito por falta de tecnologia ou simplesmente para cortar custos nessa empreitada?
    Na minha avaliação, tecnologia para isso há. Mas entre gastar uma enorme fortuna para dar conforto aos astronautas ou gastar o minimo necessário (e a saúde dos astronautas que se dane), acho que o consórcio da ISS, escolheu a segunda opção.

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  6. o Scoot virou o gêmeo Alpha com os 5 cm a mais!

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  7. os astronautas retornam míopes após uma viagem esapcial.
    Entender melhor "sobra" a mutação genética

    erros em palavras releia e os corrijam!

    matéria muito boa eu adoraria ser astronauta pena que não dá!

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    1. Obrigado Ssayajin! Já corrigimos o texto. Abraços!

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    2. Uma curosidade e observação, como conseguiriam fazer um tipo de gravidade artificial? Com uma especie de imã corporal, ou algum tipo de adaptação de um planeta para uma nave? Ex: pegassem o modelo de como um planeta de gravidade parecida com a da terra marte ou venus até mesmo a terra funciona para atrair algum corpo? Haveria de ter um nucleo, oxigenio, dioxido de carbono e uma especie de atmosfera não? Se eu estiver errado me corrigam!!

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    3. Uma curosidade e observação, como conseguiriam fazer um tipo de gravidade artificial? Com uma especie de imã corporal, ou algum tipo de adaptação de um planeta para uma nave? Ex: pegassem o modelo de como um planeta de gravidade parecida com a da terra marte ou venus até mesmo a terra funciona para atrair algum corpo? Haveria de ter um nucleo, oxigenio, dioxido de carbono e uma especie de atmosfera não? Se eu estiver errado me corrigam!!

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    4. Olá, Expert Gamers! Respondendo à sua pergunta, a revista Galileu fez uma matéria mostrando 4 maneiras diferentes de se criar gravidade artificial dentro de uma nave. Todavia, todas elas, de acordo com a revista, hoje, são impraticáveis.

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    5. Chris Santos...q nada só pega uma bola de níquel dx com uma temperatura alta e fecho AHAUHAUS

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    6. Fusão nuclear , acredito que quando dominarmos essa atividade teremos a possibilidade de gerar gravidade artificial com precisão .

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