Boa notícia: Buraco na camada de ozônio atinge menor tamanho desde 1988

buraco na camada de ozonio atinge menor tamanho desde 1988
Cientistas comemoram o recorde, mas a meta ainda não foi atingida...


Temperaturas mais elevadas sobre a Antártida fizeram com que o buraco na camada de ozônio encolhesse em 2017. Ele não ficava tão pequeno desde 1988.

O gás de ozônio (O3) encontra-se na estratosfera, e sua molécula é composta por três átomos de oxigênio, que após se romperem por conta da radiação ultravioleta, se reagrupam com outras moléculas de oxigênio. A camada de ozônio é responsável por desviar os perigosos raios ultravioletas, e assim, evitar um aquecimento maior na superfície da Terra.

Um buraco na camada de ozônio faz com que os raios solares (incluindo o UV) atinja a superfície do planeta com mais facilidade. Foi em 1985 que os cientistas detectaram pela primeira vez o buraco na camada de ozônio acima da Antártida, quando perceberam que aquilo estava sendo causado pelo homem através do uso de clorofluorcarbonetos (CFCs), que são compostos refrigerantes.



Em 1987, o Protocolo de Montreal iniciou a proibição desses produtos químicos. À medida que eles gradualmente deixam de chegar na alta atmosfera, o buraco na camada de ozônio irá se curar, e os cientistas esperam que até 2070 ele volte ao tamanho "normal", observado nos anos 80. E a cura é realmente muito gradual...




"O buraco na camada ozônio sobre a Antártica estava excepcionalmente fraco este ano", afirmou Paul Newman, cientista-chefe de Ciências da Terra no Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA. "Isto é o que esperamos ver, dado as condições climáticas na estratosfera antártica".


A camada de ozônio

Na atmosfera superior, os CFCs se separam, liberando cloro para reagir com moléculas de ozônio, uma reação que cria oxigênio e monóxido de cloro. As nuvens estratosféricas polares, que se formam em temperaturas muito baixas, aceleram esse processo. É por isso que o buraco na camada de ozônio fica ainda maior durante o nosso inverno do hemisfério sul.

Buraco na camada de ozônio atinge menor tamanho desde 1988
Buraco na camada de ozônio atinge menor tamanho desde 1988.
À esquerda vemos a falha na camada de ozônio em 2017, e à direita em 1988.
Em azul e roxo vemos as regiões com menor taxa de ozônio, enquanto que as cores amarela
e vermelha representam as áreas com maior quantidade de ozônio, respectivamente.
Créditos: NASA / GSFC / Kathryn Mersmann

Por outro lado, temperaturas mais altas na estratosfera permitem que o ozônio permaneça mais estável. Em 11 de setembro de 2017, a NASA mediu a extensão máxima do buraco em 19,6 milhões de quilômetros quadrados, ou mais de 2 vezes o tamanho do Brasil.




Os cientistas informaram que o buraco na camada de ozônio está menor do que em 2016, quando sua extensão mínima estava em 22,2 milhões de quilômetros quadrados, o que também foi considerado um tamanho abaixo da média. Segundo a NASA, a extensão média do buraco na camada de ozônio aumentou cerca de 10 milhões de quilômetros de 1991, chegando a 25,8 milhões de quilômetros quadrados.


Nem tudo é o que parece

O cientistas afirmam que esse encolhimento repentino do buraco na camada de ozônio não é um sinal de que sua melhora está ocorrendo mais rápido do que o esperado. Na verdade, trata-se de um efeito colateral de um vórtice antártico - um sistema de baixa pressão que gira no sentido horário acima do continente - passando por alguns anos de estabilidade e calor, o que impediu a proliferação de nuvens estratosféricas polares.




Usando o espectrofotômetro chamado Dobson, pesquisadores da NASA monitoram a concentração de ozônio sobre a Antártica de forma regular. E uma medição recente, realizada em 25 de setembro de 2017, revelou que a concentração de ozônio atingiu cerca de 136 Unidades Dobson, que é o mais alto desde 1988. Mas ela ainda é muito baixa se comparada à década de 1960, antes da criação de produtos químicos como o CFC. Naquela época, as concentrações de ozônio na Antártida giravam em torno de 250 a 350 Unidades Dobson.

Estamos no caminho certo?


Imagens: (capa-NASA) / NASA / GSFC / Kathryn Mersmann
06/11/17


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2 comentários:

  1. Mais uma ótima matéria deste site tão importante para a divulgação científica no Brasil!
    Parabéns!

    Vale ressaltar apenas que no segundo parágrafo, onde se lê: "... e sua molécula é composta por três moléculas de oxigênio ...", deveria ser na verdade: "e sua molécula é composta por três ÁTOMOS de oxigênio ..."!

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    Respostas
    1. Muito obrigado Adauto, pelos elogios e também pelo seu alerta!

      Já corrigimos o erro.

      Um grande abraço!

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