Novas imagens revelam o que está abaixo da Grande Mancha Vermelha de Júpiter

abaixo da grande mancha vermelha de Júpiter
Observando Júpiter com rádio telescópios, astrônomos conseguiram enxergar as camadas mais internas de sua atmosfera turbulenta



A Grande Mancha Vermelha de Júpiter é a característica mais marcante do maior planeta de nosso Sistema Solar, e provavelmente a que mais chama a nossa atenção em todos os planetas, junto com os belíssimos anéis de Saturno. Esse furacão gigantesco, maior do que o nosso planeta, pode ser facilmente visto através de telescópios amadores. Porém, o que estava abaixo da Grande Mancha Vermelha sempre foi desconhecido. Ninguém sabia o que havia ali...

Utilizando o Observatório Karl G. Jansky Very Large Array, no Novo México, astrônomos criaram um mapa detalhado de Júpiter. Observando uma região de 100 km abaixo das nuvens, conseguimos ter acesso a um local inexplorado e desconhecido de sua atmosfera.

Júpiter visto através de radio telescopio
Essa imagem de rádio representa 10 horas de observações com o VLA, portanto os detalhes da
Grande Mancha Vermelha de Júpiter estão borrados por conta da rotação do planeta.
Créditos: Imke de Pater / Michael H. Wong / Robert J. Sault

A equipe de pesquisadores da Universidade de Berkeley da Califórnia utilizou o Observatório VLA após uma melhoria, que o deixou aproximadamente 10 vezes mais sensível. No vídeo abaixo, podemos ver dois mapas sobrepostos, sendo um feito com imagens óticas e o outro com imagens captadas por rádio.


A equipe mediu as emissões de rádio de Júpiter em um nível de onda que passa através das nuvens, permitindo observar uma região escondida a uma profundidade de 100 km. O trabalho permitiu determinar a quantidade de amônia da atmosfera e também entender como a região mais interna de Júpiter funciona, na criação de nuvens e na circulação global das mesmas.




"Criamos uma imagem tridimensional do gás de amônia na atmosfera de Júpiter, que revela a movimentação turbulenta de sua atmosfera", disse a principal autora do estudo, Imke de Pater, professora de Astronomia da Universidade de Berkeley.

Os resultados também ajudarão a entender como outros planetas gasosos se comportam em nosso Sistema Solar ou em outros sistemas.

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter - imagem ótica e de rádio
Comparação entre a imagem de rádio captada pelo VLA no Novo México e uma imagem feita pelo
Telescópio Espacial Hubble, na luz visível. Créditos: Michael H. Wong / Imke de Pater / Robert J. Sault / 
NASA / ESA / A.A. Simon / G.S. Orton / JPL-Caltech
Clique na imagem para ampliar

Na observação de rádio, gases ricos em amônia se formam nas camadas mais altas da atmosfera. Gases pobres em amônia também são vistos mais abaixo. Os pontos mais brilhantes da imagem térmica de Júpiter são regiões com uma menor quantidade de amônia, que circulam ao norte do equador.




"Através do nível de onda do rádio, podemos penetrar a atmosfera de Júpiter e observar pontos que são plumas de amônia subindo para as camadas mais altas, traçando ondulações verticais na região equatorial", disse Michael Wong, pesquisador da Universidade de Berkeley.

Os resultados desse trabalho são fascinantes, não apenas pela sua beleza visual, mas também por nos revelar detalhes escondidos nas camadas mais internas da espessa (e intrigante) atmosfera de Júpiter.




Imagens: (capa-UC Berkeley) / Imke de Pater / Michael H. Wong / Robert J. Sault / NASA / ESA / A.A. Simon / G.S. Orton / JPL-Caltech
06/06/16


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12 comentários:

  1. Vai parecer estranho, mas quanto ao solo de Júpiter, ele teria alguma parte rochosa? Ou o planeta é amplamente coberto por gases e somente o núcleo é sólido?

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    Respostas
    1. Até o final de 2017 provavelmente teremos a resposta para sua pergunta com a "Missão Juno" da Nasa! :D
      Segue esse canal e ver esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=qjxJ12IB4MQ

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    2. o "solo" de Júpiter está mais para o núcleo de Júpiter, existe muito mais gás do que a parte sólida isso se ela existir

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    3. Júpiter possui um pequeno núcleo rochoso aproximadamente 10 vezes menor do que o da Terra. Ao redor desse núcleo rochoso existe uma camada de hidrogênio líquido muito denso, que tem cerca de 90% do tamanho de Júpiter.

      Abraços!

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  2. O gigante gasoso sendo desvendado! Muitíssimo fascinante! Boa materia GDM!

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  3. ESTOU CONSEGUINDO OBSERVAR MARTE, JÚPITER E SATURNO, ATRAVÉS DE UM TELESCÓPIO AMADOR, ESTÁ SENDO MUITO DIVERTIDO, APESAR DO FRIO.MINHA CIDADE É PATROCÍNIO, NA REGIÃO É NO ALTO PARANAÍBA. USO SEMPRE O SOLAR SYSTEM ESCOPE.\o/

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  4. BELA MATÉRIA SOBRE O NOSSO GIGANTE GASOSO E NOSSO GUARDA-COSTAS, SOU FASCINADO NESTE PLANETA EM PARTICULAR. O QUE ATRAPALHA A OBSERVAÇÃO DA TEMPESTADE É SUA ALTA ROTAÇÃO, MAS SE NÃO HOUVESSE ESSA ALTA ROTAÇÃO, ACREDITO QUE NÃO HAVERIA ESSA TEMPESTADE.\o/

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  5. Ler esta matéria me fez ficar mais feliz, pois esse é um grande passo para desvendarmos os mistérios que cercam este magnífico planeta. Júpiter é sem dúvidas um dos melhores planetas para se observar com telescópios.

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  6. Fico imaginando o porque desta eterna tempestade. Estranho... E às vezes me vem à mente, o seguinte: não será este fenômeno provocado, por uma possível existência de habitantes em Júpiter, muito mais evoluídos que os da Terra? E não seria este fenômeno, uma forma de energia natural para os jupiterianos? Que tipo de energia utilizaria o giro fantástico de um eterno furacão? E a amônia, qual seria sua função nisto tudo? Coisas mirabolantes que parecem não fazer sentido. Mas, faria sentido um furacão eterno, uma eterna e gigantesca tempestade?

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  7. Corrigindo: Que tipo de energia produziria o giro de um fantástico e eterno furacão?

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  8. Após este meu comentário, li uma reportagem de que esta mancha, o seja, a tempestade, gera uma energia fantástica!

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