Um dos planetas de TRAPPIST-1 pode ser altamente habitável

um dos planetas de trappist-1 pode ser habitavel
Considerando que o sistema TRAPPIST-1 é bem mais antigo do que o nosso, o que poderíamos encontrar por lá?


Nem todas as estrelas se parecem com o Sol. Isso significa também que outros sistemas planetários não podem ser analisados com a mesma expectativa ou ponto de vista que analisamos o nosso próprio Sistema Solar. E foi pensando dessa forma que uma nova pesquisa, feita por uma equipe de astrônomos liderada pela Universidade de Washington, nos EUA, nos fornece modelos climáticos atualizados para os sete planetas da estrela TRAPPIST-1.



A equipe descobriu que, devido a uma fase inicial e evolutiva da estrela TRAPPIST-1, quando ela era extremamente brilhante e quente, todos os sete planetas que a orbitam podem ter evoluído como Vênus, com oceanos evaporados e atmosferas densas e inabitáveis. No entanto, um dos planetas dessa estrela pode ser um mundo oceânico parecido com a Terra, e quem sabe repleto de vida.

TRAPPIST-1 está a 39 anos-luz de distância na constelação de Aquário, e é a menor estrela possível, com o tamanho mínimo para que um objeto ainda possa ser considerado estrela. Trata-se de uma estrela anã (com cerca de 9% da massa do Sol) e muito fria (o tipo mais comum no Universo). Todos os sete planetas de TRAPPIST-1 têm aproximadamente o tamanho da Terra, e os cientistas acreditam que três deles (nomeados e, f e g) estão situados na zona habitável da estrela (onde a água líquida pode existir).

ilustração artística dos sete planetas do sistema TRAPPIST em comparação com a Terra
Ilustração artística dos sete planetas do sistema TRAPPIST-1 em comparação com a Terra.
Créditos: M. Kornmesser / ESO

O sistema TRAPPIST-1 é duas vezes mais antigo que o nosso, então a vida poderia ter tido tempo suficiente para evoluir muito mais do que a nossa.




A equipe de pesquisadores decidiu modelar os sete planetas utilizando os dados coletados até agora (distância, tamanho, entre outros). Os modelos de radiação e química da equipe criam assinaturas espectrais ou de comprimento de onda para cada gás atmosférico possível, permitindo aos observadores prever melhor onde procurar tais gases em atmosferas de exoplanetas.

De acordo com Andrew Lincowski, da Universidade de Washington e autor principal do estudo, as pessoas estão acostumadas a pensar sobre a habitabilidade de um planeta apenas em torno de estrelas semelhantes ao Sol. "Mas estrelas anãs M são muito diferentes, então você realmente tem que pensar sobre os efeitos químicos na atmosfera e como essa química afeta o clima".




Combinando modelagem climática terrestre com modelos fotoquímicos, os pesquisadores simularam estados ambientais para cada um dos planetas de TRAPPIST-1. A modelagem indica que:


  • TRAPPIST-1 b, o mais próximo da estrela, é um mundo ardente muito quente. Nem mesmo nuvens de ácido sulfúrico, como as de Vênus, conseguem se formar;
  • TRAPPIST-1 c e TRAPPIST-1 d recebem menos energia da estrela do que seu irmão mais interno, mas ainda assim, é mais quente e inabitável do que Vênus;
  • TRAPPIST-1 e é o mais provável dos sete para hospedar água líquida em sua superfície, e seria uma excelente escolha para estudos adicionais sobre vida fora da Terra;
  • TRAPPIST-1 f, TRAPPIST-1 g e TRAPPIST-1 h podem ser parecidos com Vênus ou podem ser mundos de gelo, dependendo da quantidade de água presente em sua evolução.



Lincowski disse que, na verdade, qualquer um ou todos os planetas de TRAPPIST-1 poderiam ser parecidos com Vênus. Ele explicou que quando a água evapora da superfície de um planeta, a luz ultravioleta da estrela separa as moléculas de água, liberando hidrogênio, que é o elemento mais leve e pode escapar da gravidade de um planeta. Isso poderia deixar muito oxigênio, que poderia permanecer na atmosfera e acabar removendo a água do planeta.


Esses planetas poderiam ter espessas atmosferas de oxigênio, mas podem ser bem diferentes do que estamos acostumados aqui na Terra.




"Os processos que moldam a evolução de um planeta terrestre são críticos para que ele possa ou não ser habitável, bem como nossa capacidade de interpretar possíveis sinais de vida", disse Victoria Meadows, co-autora do estudo, professora de astronomia e diretora do Programa de Astrobiologia da Universidade de Washington. "Este artigo sugere que em breve poderemos procurar sinais potencialmente detectáveis desses processos em mundos alienígenas".


M. Kornmesser / ESO / NASA / YouTube
27/11/18


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