BepiColombo - entenda a missão rumo a Mercúrio e porque levará tanto tempo pra chegar até lá

bepicolombo - a missão rumo a mercúrio - primeira foto
A tarefa não será nada fácil - é como acertar o buraco de uma agulha


A missão BepiColombo entrou em fase de implementação em 2007, mas só agora em 2018 ela iniciou sua longa jornada. E olha que será longa mesmo - ela chegará em Mercúrio pela primeira vez em 2021, mas só conseguirá estabelecer uma órbita segura em 2025!

O nome da missão é uma homenagem ao cientista, matemático e engenheiro Giusseppe (Bepi) Colombo, que desenvolveu a técnica de assistência gravitacional (ou estilingada gravitacional), que é imprescindível para essa missão.



Um dia após o lançamento bem sucedido da missão, feito em 19 de outubro de 2018 em Kourou, na Guiana Francesa, a nave espacial de BepiColombo (uma parceria entre o Japão e a Europa) registrou sua primeira foto mostrando seu painel solar estendido e o sensor solar com isolamento térmico.

primeira foto da nave espacial BepiColombo, que está indo para Mercúrio
Essa é a primeira fotografia feita pela câmera 1 da missão BepiColombo.
A foto foi feita em 20 de outubro de 2018.
Créditos: ESA / BepiColombo / MTM

Em seguida, outras duas fotografias foram enviadas à Terra, e agora os controladores da missão já sabem que as três câmeras estão funcionando corretamente.

BepiColombo primeiras imagens
Da esquerda pra direita vemos as primeiras imagens feitas pela nave espacial de BepiColombo,
pelas câmeras 1, 2 e 3 respectivamente.
Créditos: ESA / BepiColombo / MTM


Uma longa jornada

A missão BepiColombo conta com o Orbitador Planetário de Mercúrio (MPO) da Agência Espacial Europeia, a ESA, e o Orbitador Magnetosférico de Mercúrio (MMO), da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, a JAXA. Um terceiro componente, chamado Módulo de Transferência de Mercúrio (MTM), dá suporte durante a jornada rumo ao planeta mais interno do Sistema Solar.

E falando em jornada, ela será realmente longa. BepiColombo está programada para chegar na órbita de Mercúrio apenas em 2025, após nove estilingadas gravitacionais - uma manobra que faz com que a nave espacial ganhe velocidade sem gastar combustível. As nove estilingadas gravitacionais serão feitas no planeta Terra (1), em Vênus (2) e no próprio planeta Mercúrio (6).




Você deve estar se perguntando: mas porque fazer seis estilingadas em Mercúrio se a nave já terá chegado em seu destino? Pois é exatamente esse o motivo dessas manobras - acompanhar a velocidade do apressadinho!

Permanecer em torno de Mercúrio é um verdadeiro desafio. Em comparação, seria como passar pelo buraco de uma agulha. Mercúrio orbita o Sol numa velocidade muito alta. Além disso, o pequeno planeta encontra-se muito próximo do Sol, e a nave espacial terá que evitar o puxão gravitacional intenso da nossa estrela. Se algo der errado, ela poderá ser lentamente atraída para o Sol antes de ser engolida pelo calor extremo.

Ilustração artística da nave espacial BepiColombo em Mercúrio
Ilustração artística da chegada de BepiColombo em Mercúrio.
Créditos: ESA / ATG MEDIALAB

Orbitar Mercúrio de forma estável é uma tarefa tão difícil que só em 1985 um engenheiro encontrou uma forma de realizar tal façanha.

Além das estilingadas gravitacionais, BepiColombo conta com propulsores, combustível químico e painéis solares para realizar manobras e conseguir alcançar o super veloz planeta Mercúrio. Para se ter uma ideia, será gasto muito mais combustível para chegar em Mercúrio do que para chegar em Plutão.




Assim que chegar em Mercúrio, a nave espacial de BepiColombo irá se separar. Os dois orbitadores contam com 16 instrumentos científicos para concluir pesquisas com o intuito de compreender o pequeno planeta rochoso, sua composição, estrutura, campo magnético, formação, evolução, dentre vários outros detalhes.

Todas as três câmeras de BepiColombo a bordo do Módulo de Transferência (MTM) são preto e branco, com resolução de 1024 x 1024. Essas câmeras de monitoramento serão usadas em várias ocasiões, sobretudo durante as aproximações com a Terra, Vênus e Mercúrio.




O Orbitador Planetário da ESA (MPO) também conta com uma câmera científica de alta-resolução, mas que só poderá ser usada após a separação das naves e a chegada em Mercúrio, ou seja, em 2025.


Imagens: (capa-ESA/divulgação) / ESA / BepiColombo / MTM / ATG MEDIALAB
22/10/18


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