Objeto interestelar caiu na Terra?!! Não estamos falando de 'Oumuamua

objeto interestelar passou mais próximo e antes de 'Oumuamua
'Oumuamua não foi o primeiro objeto interestelar conhecido, sugerem pesquisadores de Harvard


Quando 'Oumuamua entrou no Sistema Solar em 2017, astrônomos declararam que ele seria nosso primeiro visitante interestelar. Claro que isso já é algo muito impressionante, mas teria sido ele realmente o primeiro?



Segundo um novo estudo de Avi Loeb, professor de Harvard, em parceria com o estudante de graduação Amir Siraj, a resposta é: provavelmente não!

O documento que detalha a descoberta ainda se encontra em fase "pré-impressa", ou seja, aguarda revisão de outros cientistas antes de ser publicado oficialmente, mas acabou "vazando" em alguns sites de astronomia e já acalora debates sobre esses estranhos objetos interestelares.

Os especialistas afirmam que outro objeto passou muito mais perto da Terra ainda em 2014, tão perto que acabou caindo em nosso planeta.

Trata-se um meteoroide identificado em 8 de janeiro de 2014 às 17:05 UTC, próximo de Manus Island, em Papua Nova Guiné, que "tinha uma velocidade heliocêntrica de pré-impacto excepcionalmente alta", conforme consta no documento pré-impresso dos cientistas.

Oumuamua - ilustração artística
Ilustração artística de 'Oumuamua.
Créditos: ESO / AFP

O objeto teria menos de 1 metro de largura e riscou os céus a uma velocidade de 216.000 quilômetros por hora. Sua órbita altamente alongada seria um dos maiores indicativos de que o objeto não pertencia ao Sistema Solar.

Mas por que uma velocidade muito alta seria evidência de que um objeto seria interestelar afinal?

Segundo especialistas, qualquer objeto teria que ser incrivelmente rápido para conseguir viajar entre uma estrela e outra.




A velocidade excepcionalmente alta seria uma forte evidência de que o objeto veio de outro sistema estelar, já que ele precisaria escapar da força gravitacional de outra estrela e viajar de um sistema solar para outro. Além disso, objetos do nosso próprio Sistema Solar não costumam apresentar velocidades assim tão altas.


Usando simulações de computador, os pesquisadores calcularam a trajetória do meteoro de Manus Island, em Papua Nova Guiné, rastreando seu movimento de volta no tempo.

Eles não encontraram interações gravitacionais substanciais entre ele e qualquer outro planeta conhecido, antes que ele atingisse a Terra.




"Seu tamanho, trajetória e excesso de velocidade excluem a possibilidade dele ter sido gravitacionalmente disperso dentro do Sistema Solar antes do impacto", escreveram os pesquisadores.

Dr Avi Loeb

Além desse meteoroide em particular, Siraj e Loeb notaram outros dois objetos interestelares nos dados, que compreendem um total de 30 anos de observações. Mas no caso desses outros 2 objetos, ainda não foi possível evidenciar com clareza a possível origem interestelar.




Para tentar descobrir se alguns desses "objetos interestelares menores" passaram ou não pela Terra recentemente, a equipe estudou dados do catálogo do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra (CNEOS), um registro das coordenadas geográficas e geocêntricas, além de registros de velocidade para objetos extraterrestres detectados por sensores do governo dos EUA.


Ainda assim, os pesquisadores continuam trabalhando com a possibilidade de 3 objetos com potencial de terem origem interestelar.




Segundo eles, haveria cerca de um milhão desses objetos a cada 30 anos para cada unidade astronômica cúbica (distância entre a Terra e o Sol de aproximadamente 150 milhões de quilômetros) na galáxia. Se levarmos isso em consideração, poderíamos dizer que cada estrela próxima catapulta cerca de 60 bilhões de trilhões desses objetos durante sua vida.

A NASA também aponta que objetos assim passam pela Terra com mais frequência do que imaginamos, mas como eles são muito pequenos, acabam sendo muito difíceis de serem identificados.


'Oumuamua foi realmente excepcional não apenas por causa de suas origens interestelares, mas também por causa de seu tamanho, forma, e o fato de que era um asteroide e não um cometa (como os cientistas previam).

Os cientistas estimam que algo parecido com 'Oumuamua atravesse a órbita da Terra várias vezes por ano, mas como são difíceis de detectar, acabam passando despercebidos.




O estudo de Avi Loeb e Amir Siraj foi submetido ao 'The Astrophysical Journal Letters' e aguarda revisão antes da publicação.


Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / ESO / AFP / divulgação
22/04/19


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3 comentários:

  1. Puxa! Que maneiro!

    Mas esse possível "meteorito interestelar" que caiu na Nova Guiné, foi recuperado ou ele se desintegrou completamente ao adentrar nossa atmosfera?

    Seria interessantíssimo poder analisar a composição química de um objeto de fora do nosso Sistema Solar.

    Será que são parecidos com as rochas daqui ou são compostos por minerais diferentes? Será que minerais raros aqui são abudantes em outros sistemas, enquanto minerais abudantes aqui são raros alhures?

    Ok, não é oficial ainda que se trata de um objeto interestelar, mas...não custa nada imaginar nas possibilidades, né?

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  2. Richard você é ferra parabéns cara !!!

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