Explodir um asteroide em rota de colisão com a Terra é bem mais difícil do que pensávamos

explodir um asteroide em rota de colisão com a Terra é mais difícil do que se pensava
Mais uma vez Hollywood terá que rever os seus conceitos heroicos de proteção contra grandes impactos...


Um asteroide gigantesco está em rota de colisão com a Terra, mas um míssil ou uma nave com bombas acoplada detona tudo e a humanidade está a salvo. Já vimos isso em filmes de ação e até mesmo os cientistas cogitam tal possibilidade. Mas será mesmo que isso é tão simples quanto Hollywood faz parecer?



Um novo estudo feito por pesquisadores da Universidade John Hopkins, diz que os asteroides podem ser bem mais difíceis de serem destruídos do que imaginávamos.

O estudo aceito para publicação na revista Icarus, foi liderado por Charles El Mir, do Departamento de Engenharia Mecânica da Univ. John Hopkins, e contou com a participação de K.T. Ramesh (diretor do Instituto Hopkins Extreme Materials) e Derek Richardson (professor de astronomia na Universidade de Maryland).




A equipe realizou simulações com uma nova ferramenta para entender como as rochas fraturam durante as colisões. E os resultados foram surpreendentes.

Alguns quadros da simulação, onde o asteroide foi atingido porém se reorganiza logo em seguida - Charles El Mir - Johns Hopkins University
Alguns quadros da simulação, onde o asteroide foi atingido porém se reorganiza logo em seguida.
Créditos: Charles El Mir / Johns Hopkins University

"Nós costumávamos acreditar que quanto maior o objeto, mais facilmente ele se quebraria, porque objetos maiores têm maior probabilidade de apresentar falhas. Nossas descobertas, no entanto, mostram que os asteroides são mais fortes do que costumávamos pensar e exigem mais energia para serem completamente destruídos."

Os cientistas já conheciam muito bem como rochas pequenas, de alguns centímetros, se comportavam, porém, asteroides com quilômetros de largura respondem de forma totalmente diferente.




No início dos anos 2000, uma equipe de cientistas havia criado um modelo de computador que diziam quais tipos de impactos eram necessários para destruir um asteroide. Como exemplo, uma rocha espacial de 25 km de diâmetro precisaria ser atingida por outra de pelo menos 1 km de diâmetro a uma velocidade de no mínimo 500 quilômetros por segundo.

Já nesse novo estudo, a equipe utilizou um novo modelo de computador chamado Tonge-Ramesh (em homenagem a K. T. Ramesh, que ajudou na criação) e fizeram a mesma simulação para destruir um asteroide de 25 km. Este novo modelo, porém, é capaz de simular processos que acontecem nas rochas espaciais com muito mais precisão.

A simulação foi feita em duas etapas, sendo a primeira o momento em que a fragmentação acontece, e a segunda o momento em os fragmentos passam a ser atraídos de volta pelo poder gravitacional do asteroide (fase de reabsorção).



Eles descobriram que o impacto inicial formou uma cratera e milhões de rachaduras que chegaram até o núcleo, porém, o impacto não destruiu o asteroide, que por sua vez, apenas redistribuiu os fragmentos sobre o núcleo danificado - ele manteve sua integridade.


"Se há um asteroide vindo em direção a Terra, é melhor dividi-lo em pequenos pedaços ou empurrá-lo para seguir uma direção diferente?", indaga Charles El Mir. "E se empurrá-lo for melhor, qual seria a força necessária para afastá-lo sem que ele quebrasse? Estas são questões reais que são consideradas."


Esse novo estudo pode ser crucial numa época em que a humanidade terá que se defender de uma possível colisão com um asteroide gigantesco, como apontou o próprio Ramesh:

"Somos impactados com frequência por pequenos asteroides, como no evento de Chelyabinsk há alguns anos. Precisamos ter uma boa ideia do que devemos fazer quando chegar a hora - e esforços científicos como esse são fundamentais para nos ajudar a tomar essas decisões."




Agora, sabendo que não é tão fácil proteger a Terra contra asteroides em rota de colisão, poderemos criar novas ferramentas e projetos de deflexão para o caso de uma grande ameaça. Outra coisa: os novos filmes à la Armageddon que surgirem a partir de agora, terão que se esforçar ainda mais para que o nosso planeta não tenha um final trágico.


Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / Charles El Mir / Johns Hopkins University / YouTube / divulgação
07/03/19


Gostou da nossa matéria?
Inscreva-se em nosso canal no YouTube
para ver muito mais!


Encontre o site Galeria do Meteorito no Facebook, YouTube, InstagramTwitter e Google+, e fique em dia com o Universo Astronômico.

6 comentários:

  1. Isso depende muito da CONSTITUIÇÃO PREDOMINANTE ELEMENTAR PROJETADA.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Concordo. Muito tem a ver: com a RETROPROPULSÃO INVERSAMENTE ENERGÉTICA aplicada sobre o CORPO DE IMAGEM ULTRATÔMICA PROPULSIONADA, erroneamente chamada de ASTERÓIDE.

      De qualquer forma, um ARLÚVIO ou mesmo: um FOGLÚVIO pode resolver.

      No fim das contas: tudo se resume em mudar o nome das coisas.

      Excluir
    2. Zé Hospício, toma meu like hahahaha

      Excluir
    3. Zé Hospício, eu leio o seus comentário na voz do professor Clóvis de Barros Filho. Fica engraçado pakaray... hahaha

      Excluir
    4. Nossa! Não é que é verdade! O meu colega que pensa que é Napoleão diz que costuma ler qualquer texto com a voz do Galvão Bueno. Deve ser estranho estar lendo notícia sobre economia no jornal com a voz do Galvão. Acho que foi por isso que ele veio parar aqui no hospício. Além do fato de pensar que é o Napoleão, claro.

      Excluir
  2. E parabéns ao site pelas informações sempre relevantes. Agora, também com uma pitada de humor nos comentários: dos Zés.

    ResponderExcluir