Nova descoberta de pulsar hiper-denso contradiz teoria de Einstein




Um sistema recém-descoberto de duas estrelas anãs brancas e um pulsar deixou os cientistas perplexos. O mais 'inacreditável' é que todo esse sistema cabe em um espaço menor do que o tamanho da órbita da Terra em torno do Sol. Essa nova descoberta permite estudar a fundo e revisar uma das maiores leis Universais existentes: a lei da gravidade.

Originalmente descoberto por um estudante americano usando o Telescópio da Fundação Nacional de Ciência de Green Bank, o pulsar foi encontrado em uma estreita órbita com uma anã branca, e ambos estão na órbita de uma outra estrela anã branca mais distante. Para se ter uma idéia, o pulsar descoberto está a 4.200 anos-luz da Terra, e completa 366 rotações a cada segundo.


O sistema de três corpos representa a melhor oportunidade dos cientistas de descobrir uma violação de um conceito-chave na teoria da Relatividade Geral de Albert Eisntein: o princípio da equivalência forte, que afirma que o efeito da gravidade sobre um corpo não depende da natureza ou da estrutura interna desse corpo.

"Ao fazer medições de alta precisão dos pulsos provenientes do pulsar, podemos testar o tamanho do desvio do princípio de equivalência forte com uma precisão jamais vista", diz Stairs, do Departamento da Universidade de British Columbia (UBC) de Física e Astronomia . "Encontrar um desvio do princípio de equivalência forte indicaria um colapso da Relatividade Geral de Einstein, nos colocando da direção de um novo caminho, que seria uma revisão da lei da gravidade".

Ilustração artística de uma estrela de neutrons
no centro da supernova 1986J.
Créditos: Norbert Bartel and Michael F. Bietenholz,
York University; Artista: G. Arguner

"Este é o primeiro pulsar de milissegundo encontrado em um sistema desse tipo, e nós reconhecemos imediatamente que ele nos oferece uma tremenda oportunidade para estudar os efeitos e a natureza da gravidade", diz Scott Ransom, lider do estudo, do National Radio Astronomy Observatory (NRAO). "Este sistema triplo nos dá um laboratório cósmico natural muito melhor do que qualquer chance anterior, para aprender exatamente como esses sistemas funcionam e, e para detectar problemas com a Relatividade Geral em condições extremas".

Quando uma enorme estrela explode como uma supernova e seus restos colapsam em uma estrela de nêutrons superdensa, um pouco de sua massa é convertida em energia de ligação gravitacional, o que mantém a densidade da estrela. O princípio da equivalência forte diz que esta energia de ligação ainda deveria reagir gravitacionalmente, como se fosse massa. Praticamente, todas as alternativas da Relatividade Geral sustentam que ela não vai.

Sob o princípio da equivalência forte, o efeito gravitacional da anã branca exterior seria idêntico tanto para a anã branca interior como para a estrela de nêutrons. Se o princípio da equivalência forte é inválido de acordo com as condições deste sistema, o efeito gravitacional da estrela exterior sobre a anã branca interior e sobre a estrela de nêutrons seria ligeiramente diferente, e ao cronometrar com alta precisão a rotação do pulsar, poderemos facilmente detectar isso.

"Fizemos algumas das medições mais precisas de massa em astrofísica", diz Anne Archibald, uma das autoras do estudo, do Instituto Holandês de Rádio Astronomia. "Algumas das nossas medições das posições relativas das estrelas no sistema têm precisão de algumas centenas de metros". Anne liderou o estudo para usar as medições para construir uma simulação de computador do sistema que pode prever seus movimentos.

Scott Ransom, do NRAO acrescenta: " Este é um sistema fascinante em muitos aspectos, incluindo a sua formação, que deve ter sido completamente diferente do que conhecemos, e temos muito trabalho a fazer para entendê-lo completamente".

A equipe internacional, que inclui a astrônoma da UBC, Ingrid Stairs, relata suas descobertas na revista Nature.

O programa de observação dos cientistas usou o telescópio da Fundação Nacional de Ciência Green Bank, o radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, e o radiotelescópio de Westerbork Synthesis, na Holanda. Eles também estudaram o sistema usando os dados do Sloan Digital Sky Survey, o satélite GALEX, o telescópio WIYN em Kitt Peak, no Arizona, e o Telescópio Espacial Spitzer.

Fonte: Dailygalaxy / University of British Columbia
Imagem: ESO / L. Calçada
07/01/14

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12 comentários:

  1. Eu curto esse site desde que o descobri e é sem dúvida um dos melhores do ramo.
    A matéria está boa como sempre, mas gostaria de fazer uma ressalva: os títulos estão cada vez mais apelativos e às vezes (como nesse caso) não condizem com o conteúdo. Muitas vezes a matéria fala de possibilidades enquanto o título trata como certeza. Pode não ter sido intencional, mas fica a dica.
    Lembrando que estou fazendo uma crítica construtiva, continuo curtindo e recomendando o site (y)

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    1. Concordo com sua opinião! Na verdade queria falar sobre isso também, mas você já encontrou as palavras certas! Os títulos de artigos por toda a internet estão apelativos demais. Isso sem contar que esse artigo fala dessa parte da teoria da relatividade, enquanto outra parte, mais central e importante da lei da gravitação já foram provadas, se não me engano pelo Hubble. Em algumas das imagens de campo profundo de clusters de galáxias, foi observado o efeito previsto por ele de lente gravitacional. Então se um artigo expões só a sua prova de que "Não" e oculta as provas definitivas de que "Sim", perde-se a credibilidade.

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    2. Eu acho que não, pois de fato essa nova descoberta contradiz a teoria de Einstein, ao menos em condições extremas. Está certo... a notícia em si já é apelativa

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    3. Essa estrela rotaciona em Fá# com afinação do Lá 432Hz... quem a ouvir vai ouvir um Fá# (sustenido).

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    4. A matéria trata de uma POSSIBILIDADE, não diz que é uma certeza. As medições ainda serão feitas. Então, acho que houve erro sim na hora de escrever o título.

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  2. Discordo respeitosamente da opinião dos colegas acima quanto a Manchete dessa notícia ser apelativa. Manchetes não visam informar em detalhes, mas em chamar a atenção para a notícia de forma breve e clara. Considero que a manchete foi apropriada e coerente com a descoberta em questão, não caracterizando de forma alguma, portanto, qualquer atitude que pudesse culminar em descrédito do site.
    Se as manchetes tentassem apresentar o caso completo com abrangência e detalhes não seriam manchetes e sim a matéria em si.
    Parabéns ao site Galeria do Meteorito pelo ótimo trabalho de divulgação científica! Abraços a todos!

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  3. A título do artigo está incorreto.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. O título original da notícia fonte da NRAO é : "Pulsar in a Stellar Triple System Makes Unique Gravitational Laboratory" que pode ser lida aqui:

    https://public.nrao.edu/news/pressreleases/pulsar-in-stellar-triple-system

    Desta forma, o título deveria ser algo assim: "Pulsar em um sistema triplo estelar cria um laboratório gravitacional único"

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  6. Após observar da janela de meu apartamento o sol incidindo sobre a piscina,passeia a imaginar qua a teoria da luz em linha reta é falsa.Passei a imaginar o Cosmos como portador da eletricidade,um organismo,um pulso intermitente em expansão e que contém todos os atributos da luz,inclusive a Consciência que tudo Cria.Imagino a ilustração da estrela de nêutron com sendo um macro nêutron,em que um acúmulo de matéria,gases etc, sofrem uma ignição elétrica magnética em determinado setor de expansão elétrica criando seu próprio Campo Magnético com suas Leis Magnéticas,uma colisão de átomos do Grande Corpo Elétrico: Cosmos, criando uma perturbação no Véu molecular elétrico que será sentido aqui na Terra Espero que este raciocínio fantasioso possa ajudar a acharem a compreensão do assunto que estudam.Só uma possibilidade!

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  7. Um título sensacionalista e errado para uma descoberta interessante.

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  8. Manchetes podem não visar informar em detalhes, mas em chamar a atenção para a notícia de forma breve e clara, contudo há um limite, que nesse caso, acredito terem passado, fazendo assim uma falácia.

    Ao comparar com a matéria original do link, podemos verificar uma diferença significativa em relação a direção proposta, enquanto aqui a impressão é que a teoria de Eisntein é contradita, o link original diz que pode ser uma evolução na teoria, assim como a da mecânica quântica.

    Acredito que esse seja o melhor site que temos em português e as observações acima são todas válidas, mesmo se contradizendo, contudo se for menos sensacionalista e mais fiel a origem de onde retiram a informação, ficaria melhor.

    Afinal, qual o motivo de traduzirem parcialmente o texto?

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