Como seria viver em Plutão?

como seria viver em Plutão
O que podemos esperar do planeta anão mais famoso do Sistema Solar?



Essa matéria faz parte da série especial 'Como seria viver em outros planetas?' Confira todos os episódios clicando aqui.

Em 2006, Plutão perdeu seu status de planeta quando a União Astronômica Internacional o reclassificou como planeta anão, o que causou muita controvérsia na época. Mas não importa se você considera Plutão como planeta ou planeta anão, pois uma coisa é certa: apesar de ter sido recentemente visitado pela primeira vez, já temos uma boa base de como seria difícil viver nesse mundo gelado.

A sonda New Horizons, da NASA, foi a primeira a chegar em Plutão, quando realizou um sobrevoo rasante em julho de 2015, revelando imagens de tirar o fôlego com detalhes impressionantes sobre sua superfície repleta de picos e montanhas de gelo.

Dependendo da distância de Plutão com o Sol, enfrentaríamos temperaturas congelantes de aproximadamente -228°C, com variações de apenas 5° para mais ou para menos, o que também afetaria sua atmosfera.

Quando Plutão está mais próximo do Sol, parte de seu gelo de superfície é transformado de sólido para gasoso, dando origem a uma atmosfera tênue. Modelos de computador mostram que com uma pequena atmosfera, os ventos na superfície do planeta anão chegam a uma velocidade de 362km/h. Isso é suficiente para despedaçar qualquer equipamento, rover, espaçonave ou até levar pra bem longe qualquer astronauta desavisado que estivesse caminhando durante um vendaval desses. Não é certo que esses ventos aniquiladores realmente existem em Plutão, afinal trata-se de modelos feitos em computador que precisariam de mais evidências.

Mas não se assuste, pois não seria apenas ventos e mais ventos em Plutão. Acredita-se que a atmosfera de Plutão desaparece cada vez que o planeta anão chega em seu ponto mais distante do Sol, quando os gases se solidificam novamente. A pressão atmosférica de Plutão também é muito pequena, de no máximo 3 microbars (quando na Terra ela é de 1 bar).




A superfície de Plutão, como podemos ver nas imagens feitas pela sonda New Horizons, é bastante diversificada. Algumas regiões se mostram muito brilhantes, enquanto outras são mais opacas e refletem uma menor quantidade de luz. Além disso, existem grandes áreas lisas, e outras cheias de montanhas que ultrapassam facilmente os 3 mil metros de altura. Poderia ser um bom local para praticar escalada nos dias mais entediantes. Levando em conta a gravidade de Plutão, que é de aproximadamente 7% a gravidade da Terra, as subidas não seriam tão cansativas. Uma pessoa que pesa 68 kg na Terra pesaria apenas 4,5 kg em Plutão. Isso facilitaria bastante algumas missões, e possibilitaria construções altas que seriam muito perigosas aqui na Terra.

Base - Colonia - Plutão
Ilustração artística mostra astronauta observando nascer do Sol e colônia em Plutão, com Caronte alto no céu.
Créditos: Galeria do Meteorito         Clique na imagem para ampliar

Explorar a superfície de Plutão poderia ser difícil por conta de suas montanhas e penhascos, mas se considerarmos apenas seu tamanho, levaria pouquíssimo tempo, já que o tamanho de Plutão é de apenas 2/3 da nossa Lua. Toda sua área é praticamente do mesmo tamanho do território da Rússia.




Plutão e seu maior satélite natural, Caronte, estão em rotação sincronizada, ou seja, o mesmo lado de Caronte está sempre virado para o mesmo lado de Plutão. Se estivéssemos na superfície de Plutão que está virada para Caronte, poderíamos ver esse grande satélite tomar uma parte considerável do céu. Para se ter uma ideia, aqui na Terra podemos esconder a Lua com a ponta do nosso polegar ao esticarmos nosso braço. Em Plutão, precisaríamos fechar o punho com os braços esticados para esconder Caronte no céu. Nix e Hydra, outras grandes luas de Plutão, também seriam visíveis a olho nu, diferente de Kerberos e Styx.

Algumas evidências apontam para a existência de um oceano de água líquida abaixo da superfície de Plutão, portanto uma das prováveis missões que os novos colonizadores poderiam ter, seria justamente buscar mais informações sobre isso. Utilizando sondas especiais e um sistema de perfuração complexo, talvez fosse plausível alcançar o possível oceano escondido de Plutão, e quem sabe, descobrir segredos que nem sequer imaginamos.

Superfície de Plutão - ilustração - imagem
Ilustração artística mostra alguns astronautas perfurando o solo de Plutão e explorando sua superfície
com a ajuda de rovers. No céu, Caronte se mostra parcialmente iluminado em pleno dia.
Créditos: Galeria do Meteorito         Clique na imagem para ampliar

Um dia em Plutão tem a mesma duração de 6,4 dias terrestres. Mesmo durante o dia veríamos o céu muito escuro (a não ser que Plutão estivesse mais próximo do Sol o que cria uma fina atmosfera). O Sol seria apenas um ponto brilhante um pouco maior do que as estrelas de fundo, e seria bastante parecido com a forma que vemos Júpiter daqui da Terra, porém, bem mais brilhante. As nebulosas e galáxias vizinhas pareceriam bem mais vivas e coloridas no firmamento. Um ótimo local pra quem gosta de observar o céu noturno!




E claro, você iria enviar todas as fotos para seus amigos e familiares aqui na Terra, mas essa tarefa seria bem lenta. Plutão leva 248 anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol, e sua órbita é bastante alongada, a ponto de colocá-lo mais próximo do que Netuno por 20 anos durante sua máxima aproximação. Nesse momento, uma mensagem enviada para a Terra levaria apenas cerca de quatro horas para chegar ao destino. Por outro lado, se considerarmos o ponto mais distante da órbita de Plutão, sua mensagem levaria quase 7 horas para chegar ao destinatário.



Imagens: (capa-ilustração/Galeria do Meteorito) / NASA / New Horizons / Galeria do Meteorito
26/07/16


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14 comentários:

  1. Boa matéria. Só precisa corrigir a informação sobre a New Horizons. Ela sobrevoou Plutão em julho de 2015 e não 2014 como diz na matéria.

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    1. Obrigado pela dica Fábio! Já fizemos a correção.

      Abraços!

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  2. Essa série está simplesmente sensacional!!!eo que dizer sobre plutão.... Incrível!! parabéns..

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    1. Muito obrigado Ricardo! E vale lembrar que a série ainda não chegou ao fim... :)

      Abraços!

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  3. ventos de mais de 300 por hora numa atmosfera tão rarefeita é muito mais fraco que um vento dessa velocidade aqui na terra.. acho que não seria muito problema

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    1. Sim TD 2010, de fato seria importante destacar isso, que os ventos numa atmosfera rarefeita não têm a mesma força que os ventos de uma atmosfera mais espessa como a da Terra, porém ainda assim eles poderiam ser perigosos, ainda mais considerando a gravidade mais baixa do planeta, que faz com que os objetos se desloquem com mais facilidade.

      Abraços!

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    2. Não sei se os objetos se deslocariam com mais facilidade, pois a inércia de um corpo atuando sobre outro, não aumenta ou diminui com a mudança da força gravitacional. Ela tem relação apenas com a massa, ou seja, quanto maior a massa, mais difícil tira-la do repouso. A influência gravitacional teria relação com o arrasto de objetos, devido a redução do atrito dos objetos apoiados na superficie. Mas sem saber o quão rarefeita é a atmosfera de Plutão, não podemos saber se a redução do atrito seria suficiente para deslocar objetos com ventos de 300 km/h.

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  4. Essa ilustração do Galeria do Meteorito me fez pensar que, se um dia a humanidade chegar a explorar Plutão, certamente não será com um traje espacial tão pesado e com mobilidade tão restrita quanto esses atuais. E também me fez pensar sobre os motivos dos trajes espaciais serem sempre brancos. E isso deve ser, no meu entendimento, para reduzir o aquecimento dos trajes por raios solares, já que o branco é a cor que mais reflete. E isso me fez pensar no filme "2001 Uma Odisseia no Espaço" e seus trajes coloridos, que foram feitos pensando apenas em se distinguir da realidade, mas não cientificamente. rsrs

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    1. Interessante sua observação Milton, mas em locais tão frios não seria melhor um traje que aquecesse um pouco? Acho que deve haver um gasto considerável de energia para manter a temperatura ótima para a espécie humana.

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    2. Essa ideia de aproveitar a luz do Sol para regulagem de temperatura de trajes espaciais é uma ideia que poderá existir no futuro. No presente ainda é complicado, por conta de todo o conjunto de equipamentos necessários para captar a luz solar e armazena-la em baterias, o que só faria aumentar ainda mais o peso total dos trajes espaciais.
      Quanto a essa questão de locais muitos frios, nem é preciso se afastar muito do Sol para sentir os seus efeitos. Na Lua por exemplo, na sombra, chega a temperaturas bem inferiores a -100ºC. E recebendo luz diretamente, passa dos 100ºC positivos.

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  5. O Milton Kajita eu já penso um pouco diferente. Eu acho que o Branco foi adotado na maioria dos trajes espaciais para destacar o astronauta. Sobre tudo contra o fundo escuro do espaço. Por menor que seja a quantidade de luz que bata no traje o astronauta fica parecendo "estrela". Como se fosse aqueles coletes fosforescentes da companhia de trânsito. Agora já em Vênus eu não sei se isso daria certo. Já que um lugar eternamente nublado e abafado.

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    1. Faz sentido Francisco, embora em missões de concerto de equipamentos espaciais o traje brancos não se destacam em relação aos equipamentos, pelo contrário, até se confundem. E essa questão também me fez pensar sobre os motivos das estações espaciais, telescópios espaciais, foguetes, etc, todos eles serem brancos. Será que a ideia é facilitar serem encontrados visualmente no espaço, ou seria a questão da maior reflexividade do branco para os raios solares? Ou ambas as ideias são validas?
      Acho que essa questão de trajes espaciais, deveria ter uma matéria especial sobre o assunto. Não é mesmo, Galeria do Meteorito?! ( ^◡^)

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    2. Boa sugestão Milton! Já está na lista e vamos pesquisar sobre o assunto.

      Um grande abraço!

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